A jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, de 85 anos, recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 2026. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (9) pelo Comitê Nobel Norueguês, que reconheceu seus esforços para promover a paz e o direito internacional.
Segundo o comitê, Pillay teve papel importante no desenvolvimento de mecanismos jurídicos internacionais para responsabilizar autores de crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio.
A organização também destacou o compromisso da jurista com os princípios jurídicos universais, a justiça e a dignidade humana, além da atuação em defesa de pessoas perseguidas durante o apartheid na África do Sul.
CARREIRA MARCADA PELA DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS
De ascendência tâmil indiana, Navi Pillay cresceu em Durban, na África do Sul. Em 1967, fundou seu próprio escritório de advocacia, em um período marcado pela segregação racial no país.
Durante sua trajetória, atuou na defesa de ativistas contrários ao apartheid, incluindo Nelson Mandela. Em 1988, concluiu o doutorado em ciências jurídicas pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Em 1995, foi nomeada para a Alta Corte da África do Sul.
Pillay também presidiu o Tribunal Penal Internacional para Ruanda e atuou como juíza no Tribunal Penal Internacional. Entre 2008 e 2014, ocupou o cargo de alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
ATUAÇÃO EM COMISSÃO SOBRE GAZA
A jurista presidiu a Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado, que divulgou, em 2025, um relatório que concluiu que Israel cometeu genocídio na Faixa de Gaza.
Israel rejeitou as conclusões do documento e classificou o relatório como “escandaloso”.
Ao anunciar o prêmio, o Comitê Nobel afirmou que a atuação de Pillay reforça a importância de um sistema internacional baseado no Estado de Direito, especialmente em um cenário de aumento dos conflitos e de pressões sobre instituições jurídicas internacionais.
Para a organização, a responsabilização por crimes e a garantia de justiça às vítimas são condições necessárias para a construção de um mundo mais pacífico.
HISTÓRICO DO NOBEL DA PAZ
O Nobel da Paz é concedido desde 1901 e é o único dos prêmios Nobel entregue em Oslo, na Noruega. A premiação reconhece pessoas e organizações que contribuem para a paz, a cooperação internacional e os direitos humanos.
Em 2025, o prêmio foi concedido à opositora venezuelana María Corina Machado. Em 2024, a organização japonesa Nihon Hidankyo, formada por sobreviventes dos bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki, recebeu a honraria por sua atuação contra as armas nucleares.
A cerimônia de entrega do Nobel da Paz de 2026 está prevista para dezembro, em Oslo.