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'Nipah é altamente letal, mas se espalha menos que coronavírus', diz médica

28 jan 2026 às 17:15

O vírus Nipah preocupa pela alta letalidade, mas sua transmissão é limitada e menor do que a do coronavírus, afirma a infectologista Luana Araújo no UOL News, do Canal UOL. Segundo a médica, o Nipah costuma causar surtos localizados no sudeste asiático e exige contato próximo para se espalhar, ao contrário do coronavírus, que se transmite pelo ar.


"O Nipah é um vírus que causa receio, causa medo, causa angústia em absolutamente todo mundo. Não é possível você lidar com um vírus que tem uma letalidade que varia de 45% a 70% considerando isso uma situação normal. Não é normal. Para vocês terem uma ideia, no auge da letalidade da pandemia da covid no Brasil, a gente tinha uma taxa em torno de 6%, o que obviamente, diante do número absurdo de casos que a gente teve, resultou na hecatombe que a gente viveu. Mas, no caso do Nipah não, ele é altamente letal. Mas ele é uma patologia que é muito restrita ali ao sudeste asiático." - Luana Araújo.


"A transmissão pessoa a pessoa é difícil, pouco sustentada. Aliada à alta mortalidade, fica difícil desse vírus conseguir sair dali de onde ele está. Então, é o que a gente vê normalmente com ele. Praticamente todos os anos existem surtos do Nipah, que são contidos isolados, e eles aparecem da mesma forma e vão embora rápido." - Luana Araújo.


Luana destaca que o risco de contaminação é maior entre profissionais de saúde e cuidadores, já que a transmissão exige contato com fluidos corporais dos pacientes.


"A transmissão do coronavírus é por aerossol. É uma partícula mais leve que o ar que fica suspensa e consegue viajar a distâncias maiores ou ficar naquele ambiente pouco ventilado por muito tempo. No caso do Nipah, ele precisa de um contato mais próximo, através do contato com secreções desses pacientes, com fluidos corporais, então não é muito simples. Habitualmente os casos são em cuidadores, familiares, profissionais de saúde que estão perto desses casos índices e é isso que a gente costuma ver de fato." - Luana Araújo


Ela ressalta que não existe vacina ou tratamento específico contra o Nipah, tornando a vigilância e o isolamento essenciais para conter surtos.


"A gente não tem vacina, não tem tratamento. Nesse sentido, é uma questão extremamente crítica, muito diferente daquilo que a gente enfrenta com a covid hoje, felizmente. O Nipah não tem grandes potenciais de provocar muitas coisas fora dali, principalmente quando são erguidas as medidas de prevenção que a gente tem à disposição. Vigilância apurada, um diagnóstico feito de uma maneira precoce, um controle de infecção, enfim, quando se levantam essas barreiras ele fica ainda mais isolado." - Luana Araújo.


A infectologista explica que o Nipah pode causar encefalite grave, com sequelas até em sobreviventes.


"O Nipah é um vírus que causa uma inflamação gravíssima, com especial predileção pelo sistema nervoso central. Então, ele faz o que a gente chama de encefalite, e essa encefalite é rápida, ela é devastadora, e mesmo naqueles que sobrevivem ela pode deixar sequelas graves, inclusive com recorrência desse tipo de quadro." - Luana Araújo.