Uma inovação tecnológica recém-chegada ao Brasil promete transformar a detecção e o combate ao infarto agudo do miocárdio, uma das principais causas de mortalidade no país. Estimativas do Ministério da Saúde indicam que o território nacional registra entre 300 mil e 400 mil casos anuais da condição, apresentando uma taxa de letalidade de um óbito a cada 5 a 7 ocorrências. Denominada Makoto, a nova ferramenta atua na identificação precoce do acúmulo de gordura nas artérias coronárias, detectando placas vulneráveis antes do aparecimento de sintomas clínicos ou do bloqueio total dos vasos.
Muitos pacientes descobrem problemas arteriais apenas ao sofrer um evento cardiovascular agudo, uma vez que o processo de aterosclerose evolui de forma silenciosa por anos. O sistema atua de forma complementar durante o procedimento de cateterismo cardíaco, gerando em poucos segundos um mapa químico colorido que indica a localização exata e a quantidade de gordura acumulada nas paredes vasculares. O dispositivo calcula automaticamente o Índice de Carga Lipídica (LCBI, na sigla em inglês), parâmetro fundamental para orientar a conduta terapêutica da equipe médica.
A precisão do equipamento é apontada pelos especialistas como um diferencial relevante porque eventos cardíacos graves nem sempre decorrem de grandes obstruções visíveis nos exames de imagem tradicionais. Em diversas situações, lesões que não apresentavam bloqueio significativo prévio sofrem rupturas e provocam a interrupção repentina do fluxo sanguíneo. A identificação dessas placas de alto risco permite ajustar medicações, intensificar o controle da pressão arterial, do colesterol e do diabetes, além de propor intervenções personalizadas no estilo de vida dos pacientes.
A aplicação da tecnologia é indicada para pessoas com suspeita ou diagnóstico confirmado de doença arterial coronariana, histórico familiar relevante de infarto, múltiplos fatores de risco ou para pacientes que já infartaram e necessitam de monitoramento contínuo. Apesar da evolução nos diagnósticos por imagem, cardiologistas reforçam que a inovação não substitui a atenção aos sintomas clássicos — como dor ou pressão no peito, falta de ar, suor frio e desconforto irradiado — nem a manutenção de hábitos de vida saudáveis e consultas de rotina.