A Secretaria de Estado da Segurança Pública, por meio da Polícia Civil do Estado de São Paulo, através do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), deflagrou na manhã desta quinta-feira (12) a Operação Dark Trader, ação conjunta com o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), por intermédio do GAEPP (Grupo de Atuação Especial de Persecução Patrimonial), e com a Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz-SP).
A operação mobilizou uma força-tarefa composta por 100 policiais civis, dois promotores de Justiça e 20 auditores fiscais, que cumpriram 23 mandados judiciais em dois Estados da Federação (São Paulo e Santa Catarina) — sendo três mandados de prisão e 20 mandados de busca e apreensão.
Esquema movimentou R$ 1,07 bilhão em sete meses
As investigações apontam a existência de um sofisticado esquema de lavagem de capitais e ocultação patrimonial, estruturado a partir de um grupo empresarial que atua na distribuição de produtos eletrônicos na capital paulista com atuação nacional.
Segundo o DEIC, a organização teria movimentado ao menos R$ 1.072.477.742,95 em apenas sete meses, utilizando uma engenharia financeira complexa para desviar e pulverizar recursos, dificultando o rastreamento.
O modelo operacional identificado funcionava da seguinte forma:
• As vendas eram realizadas por uma empresa principal do grupo;
• Os pagamentos eram redirecionados para empresas de fachada;
• Notas fiscais frias eram emitidas por terceiros;
• As contas funcionavam como “contas-balde”, destinadas a concentrar valores;
• Posteriormente, os recursos eram pulverizados em contas de terceiros e “laranjas”.
Ao todo, 32 pessoas são investigadas, sendo 18 pessoas físicas e 14 pessoas jurídicas, além de 36 contas bancárias monitoradas e bloqueadas.
Liderança, contadores e coordenação financeira
De acordo com a investigação, o líder da organização seria o responsável pelo envio de vultosos valores às empresas fictícias, coordenando a emissão de notas fiscais frias e a redistribuição do dinheiro. Contadores ligados ao grupo operariam a formalização documental e a fragmentação dos valores.
Há ainda uma coordenadora da organização e integrantes responsáveis pelas operações comerciais simuladas em nome das empresas de fachada.
Sequestro de bens e elo com o PCC
O GAEPP obteve o sequestro patrimonial de valores que podem alcançar até R$ 1,1 bilhão, com bloqueio inicial de:
• R$ 25 milhões em imóveis de alto padrão;
• veículos de luxo;
• aplicações financeiras;
• dezenas de contas bancárias.
A investigação identificou indícios de ligação com organização criminosa chinesa e integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital). Um dos investigados possui antecedentes por tráfico de drogas, roubo e receptação e figurava formalmente como sócio de fachada e beneficiário de imóveis de alto valor — mecanismo utilizado para blindagem patrimonial.
Segundo os investigadores, ficou comprovada uma sistemática confusão patrimonial, com objetivo de fraudar o fisco, credores e o sistema de Justiça.
Crimes fiscais e desdobramentos
Embora o foco principal seja a lavagem de capitais por meio da mescla de recursos ilícitos com negócios aparentemente lícitos, os crimes fiscais identificados serão comunicados formalmente aos órgãos competentes.
A operação segue em andamento e novas diligências não estão descartadas