A polícia prendeu três vizinhos de uma corretora que foi morta em Santa Catarina, após ficar desaparecida. Eles são suspeitos de envolvimento na morte e de realizarem compras em nome da vítima.
A corretora Luciani Estivalet, 47, estava desaparecida. De acordo com a Polícia Civil de Santa Catarina, a família comunicou o desaparecimento no dia 10 de março.
Família de Luciani suspeitou de comunicação com erros de português no WhatsApp. Segundo a irmã, Mônica Estivalet, a conversa com Luciani ficou estranha e, no domingo (8), Mônica notou uma série de erros cometidos em uma mensagem escrita, o que fez com que a família denunciasse o caso para as autoridades. Além disso, havia recusa para receber chamadas.
Três suspeitos detidos moravam no mesmo condomínio que a vítima:
Homem de 27 anos e sua companheira de 30 anos, que eram vizinhos de porta da Luciani. Eles são suspeitos de terem matado a corretora, e foram detidos em Gravataí (RS). O homem cometeu um latrocínio em 2022 na cidade de Laranjal Paulista (160 km de São Paulo), quando matou um dono de padaria com um tiro na cabeça;
Mulher de 47 anos, dona do residencial onde Luciani morava. A polícia diz que ela era beneficiária e recebia pertences comprados em nome da vítima, como notebook e televisão. Itens ficavam em um apartamento desocupado que estava sob sua responsabilidade.
Motivação do crime foi ganho financeiro, segundo a polícia. Após a morte da vítima, foram feitas várias compras em plataformas online, usando dados de cartão de crédito de Luciani. Além disso, foram roubados notebook e televisão da vítima. Os suspeitos são acusados de latrocínio (roubo seguido de morte) e ocultação de cadáver.
Polícia acredita que corretora estava morta desde a semana passada. O corpo teria ficado no apartamento até 7 de março. Após isso, os suspeitos retiraram o corpo, esquartejaram e espalharam por diversos locais. Um adolescente, irmão do homem de 27 anos, está foragido e é suspeito de ter retirado mercadorias compradas com meios de pagamento de Luciani e ter auxiliado na ocultação do corpo.
Corpo foi encontrado no dia 9 de março na cidade de Major Gercino (a 106 km de Florianópolis). A identificação, porém, só foi realizada hoje. Segundo a polícia, os suspeitos dividiram o corpo em diversas partes e jogaram em um rio na área rural da cidade.
Entenda o caso
Família da corretora estranhou comportamento dela por WhatsApp. Segundo o relato da irmã, em troca de mensagem pelo app, vários erros de português eram cometidos, o que não era comum. Trechos como "persiguindo" (perseguindo), "precionando" (pressionando) e "respentem" (repeitem) levantaram suspeitas.
"Minha irmã tem curso superior e fala três línguas diferentes. Ela sempre foi muito regrada com o português" - Mônica Estivalet
Conteúdo supostamente escrito por Luciani dizia para a família deixá-la em paz. A mensagem cita que a corretora estava bem e que iria viajar para fora do país, onde encontraria uma amiga. Mônica, que mora no Rio Grande do Sul, entrou em contato com o irmão, que vive em Florianópolis, para acionar a polícia, relatando o que ocorreu. A polícia, então, passou a investigar o desaparecimento, diz a família.