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Professor brasileiro é preso por suspeita de estuprar crianças em Paris

27 mai 2026 às 16:40

Um professor de música brasileiro que atuava em pré-escolas foi detido em Paris na última sexta-feira (22) sob a acusação de estupro, agressão e exibição sexual contra menores.


Na mesma data da detenção do brasileiro, outro docente também foi preso e ambos continuam em prisão preventiva. O Ministério Público de Paris confirmou, por meio de um comunicado repercutido pela Rádio França Internacional (RFI), que os dois profissionais respondem por "atos de natureza sexual".


De acordo com o jornal francês Le Monde, pelo menos mais 16 indivíduos foram presos na quarta-feira, dia 20, suspeitos de estarem envolvidos em episódios de violência física e sexual em instituições de educação infantil de Paris.

Investigações

As investigações tiveram início em janeiro, motivadas por uma reportagem do programa "Cash Investigation", da rede pública France 2, que expôs episódios de violência e negligência na fiscalização de uma creche. Na filmagem feita por um repórter infiltrado, funcionários apareciam gritando com os alunos e uma profissional foi flagrada beijando uma criança na boca.


Após a divulgação das imagens, foram iniciadas apurações nos âmbitos judicial e administrativo. A partir desse momento, houve um crescimento contínuo no volume de denúncias de abuso sexual, agressão e violência em pré-escolas parisienses.


A RFI detalhou que o brasileiro trabalhou na Saint-Dominique, uma das unidades sob investigação. Conforme a emissora, pais de alunos já haviam feito queixas contra o professor entre setembro e dezembro do ano anterior devido a gritos, embora não houvesse relatos de abusos sexuais naquele momento. Em razão das reclamações, o docente acabou transferido para a escola infantil Volontaires, localizada em outra região.

Relatos

Depois que o "Cash Investigation" foi ao ar, os responsáveis identificaram o músico brasileiro nas cenas e se mobilizaram. Ao notarem alterações no comportamento de seus filhos, passaram a suspeitar de abusos.

“Percebemos que as crianças eram vítimas de violência sexual dentro da pré-escola, incluindo estupros cometidos por vários monitores, entre eles este cidadão brasileiro”, relatou anonimamente à RFI a mãe de uma menina de 3 anos.


Segundo o depoimento dessa mãe, o brasileiro realizava os estupros com o auxílio de ao menos dois outros colaboradores da creche. Ela manifestou a expectativa de que os depoimentos de outras crianças ajudem a polícia a esclarecer as condutas e a definir as responsabilidades de cada envolvido.

Outro pai, que também preferiu não se identificar, relatou ter compreendido a gravidade da situação após assistir ao programa de TV.


“Como gostamos muito de música na família, meu filho ia frequentemente às oficinas no período da tarde. Quando saiu a reportagem na TV, fizemos perguntas ao nosso filho para saber o que ele tinha visto, ouvido ou sofrido de violência. Ele começou a nos dizer que essa pessoa o obrigou a dar beijos nas partes íntimas”, explicou o homem, pai de um menino de 4 anos.


Esse responsável registrou queixas formais em fevereiro contra o brasileiro e outros três assistentes da unidade de ensino. Ele complementou explicando a dinâmica das ações:


“Ele atuava com outra monitora. Eles isolavam as crianças em dupla. Ou eles os forçavam [a dar beijos] ou a monitora dava beijos nas nádegas deles enquanto o outro tirava fotos ou fazia vídeos.”


De acordo com a associação Pequenos Heróis de Saint-Do, organização que representa as famílias dos estudantes, a funcionária mencionada pelo menino é a mesma que foi gravada pelo programa de televisão beijando uma criança na boca.

Dimensão do caso

No dia 17 de maio, a procuradora de Paris, Laure Beccuau, informou à rádio RTL que o órgão havia instaurado procedimentos para investigar ocorrências associadas a aproximadamente 84 creches, 20 escolas de ensino fundamental e 10 centros de educação infantil.


O Le Monde informou ainda que, desde o começo de abril, 78 profissionais de educação foram afastados de suas funções na capital francesa, dos quais 31 são investigados por suspeita de violência sexual.

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