O professor Alireza Moreno Ashtiani, diretor-geral da UTFPR em Londrina, não consegue contato com sua família no Irã desde o último sábado (28), quando Estados Unidos e Israel atacaram alvos estratégicos em território iraniano. A ofensiva militar atingiu a capital, Teerã, e outras cidades, sob a alegação de avanço no programa nuclear do país. Ashtiani vive no Brasil há quase 20 anos, mas todos os seus familiares permanecem no Oriente Médio, onde as comunicações apresentam instabilidade devido ao conflito.
A família do docente reside em uma cidade conservadora e afastada dos principais centros urbanos, local que não registrou confrontos diretos até o momento. O professor afirma que a distância de mais de 12 mil quilômetros não diminui a preocupação, especialmente pelo controle exercido pelo regime religioso iraniano. Ashtiani ressalta que o sistema político do país concentra o poder na figura do líder religioso, o Aiatolá, e critica a repressão e a violência do governo contra manifestantes nos últimos anos.
Na avaliação de Ashtiani, a escalada do conflito pode representar um ponto de mudança para a sociedade iraniana. Ele acredita que grande parte da população deseja maior liberdade, apesar do temor causado pela continuidade das operações militares anunciadas pelo governo americano. O professor aponta que existem possíveis desfechos para a guerra, mas não detalha quais seriam as alternativas para o fim das hostilidades que mantêm a comunidade internacional em alerta.
Mesmo diante da crise e das incertezas sobre a segurança na região, a família do diretor da UTFPR não tem planos de deixar o Irã ou se mudar para o Brasil. Os familiares pretendem permanecer no país de origem, enquanto Ashtiani aguarda o restabelecimento das comunicações para confirmar o estado de saúde dos parentes. O Ministério das Relações Exteriores e órgãos internacionais monitoram os impactos dos ataques na segurança da população civil iraniana.