Basta uma busca rápida nas redes sociais para encontrar milhares de vídeos ensinando o mesmo ritual: espalhar sal grosso no chão, apoiar os pés limpos por alguns minutos antes de deitar e esperar por uma noite de sono reparadora. A prática voltou a ganhar força impulsionada por relatos de internautas que garantem acordar mais dispostos.
Apesar de a tradição ser antiga — ligada à purificação e renovação de energias em diversas culturas —, o hábito encontrou na internet um novo fôlego entre pessoas que buscam alternativas simples e sem remédios para combater a insônia.
Sem comprovação médica, mas com efeito psicológico
Quem busca respaldo científico para a receita, no entanto, não vai encontrá-lo. Não existem evidências médicas de que o contato direto da pele dos pés com o sal grosso provoque alterações fisiológicas ou químicas capazes de induzir o sono.
Ainda assim, a sensação de relaxamento relatada por muitos praticantes tem explicação. O benefício costuma estar associado ao momento de pausa: o ato de interromper a correria do dia, sentar e dedicar alguns minutos para desacelerar funciona como um gatilho mental para o descanso.
O papel da higiene do sono
A prática se encaixa no que os médicos chamam de higiene do sono. Criar um ritual de transição — reduzindo luzes fortes, afastando-se das telas de celulares e mantendo horários regulares — ajuda o cérebro a entender que a hora de descansar está se aproximando. Nesse cenário, o sal grosso atua mais como um elemento simbólico da rotina do que como um agente terapêutico isolado.
Especialistas ressaltam que, seja por crença espiritual, tradição familiar ou apenas busca por relaxamento, o hábito não substitui os cuidados médicos nem o tratamento de distúrbios crônicos do sono. Contudo, a busca por essa tendência reforça uma necessidade cada vez mais comum: a de reservar um tempo para desligar do mundo antes de apagar as luzes.