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Seis em cada dez motociclistas profissionais já sofreram acidente

02 out 2026 às 11:53

Quase seis em cada dez profissionais que trabalham com motocicleta já sofreram algum acidente, segundo a pesquisa Movimento Brasil sobre Duas Rodas. O levantamento foi realizado pelo IQG (Instituto Qualisa de Gestão), em parceria com a Fiesp e a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT).

Ao todo, foram ouvidos 21.832 profissionais que utilizam motocicletas para entregas, corridas e táxi, em 27 estados brasileiros.


Entre os entrevistados, 59,8% afirmaram já ter sofrido um acidente. A exposição ao risco também é elevada: 84,7% passam seis horas ou mais por dia sobre a motocicleta, enquanto 53% permanecem nove horas ou mais.


CONSCIÊNCIA DOS RISCOS É ALTA


A pesquisa criou o Índice Global de Cultura de Segurança, que considera três dimensões: individual, grupo e sistema.


O resultado geral foi de 65,1 pontos, em uma escala de 0 a 100, classificado como moderado.


Na dimensão individual, o índice chegou a 91,3 pontos, considerado alto. O indicador avalia a percepção dos riscos e a confiança dos motociclistas para adotar comportamentos seguros.


A consciência dos riscos alcançou 96 pontos, enquanto a percepção de autoeficácia ficou em 86,6.


Segundo o levantamento, os dados indicam que os profissionais reconhecem os riscos e acreditam ter capacidade para tomar decisões seguras.


PRESSÃO DO AMBIENTE DE TRABALHO


Quando considerada a relação com outras pessoas, o índice caiu para 72,1 pontos.


A dimensão de grupo considera as normas sociais e a influência do ambiente sobre o comportamento. As normas sociais percebidas alcançaram 85,3 pontos, mas a influência social ficou em apenas 41 pontos.


O maior desafio apareceu na dimensão sistêmica, que registrou 32,1 pontos, classificada como baixa.


Esse indicador considera fatores externos ao indivíduo, como condições econômicas e características do ambiente em que o trabalho é realizado.



O indicador de pressões econômicas ficou em 46,7 pontos, sinalizando a influência de fatores relacionados à renda, produtividade e condições de trabalho sobre a adoção de comportamentos mais seguros.


Para Mara Machado, CEO do IQG, os resultados mostram que a prevenção não deve se limitar à orientação individual.


“Saúde sustentável começa muito antes do hospital. Começa na capacidade de uma sociedade identificar os fatores que produzem adoecimento, acidentes e incapacidades e agir sobre eles”, afirmou.


ACIDENTES TAMBÉM IMPACTAM A SAÚDE PÚBLICA


Os impactos dos acidentes com motocicletas também aparecem nos dados de internações hospitalares.

Segundo informações apresentadas pela SBOT, 166.026 internações relacionadas a acidentes de trânsito envolvendo motocicletas foram registradas em 2024. O número representa parte das 251.699 internações por acidentes de trânsito contabilizadas naquele ano.


Para Miguel Akkari, presidente da SBOT, os números mostram que a segurança dos motociclistas envolve prevenção, saúde pública e condições de trabalho.


“Eles estão expostos a riscos elevados de acidentes, com impacto no sistema de saúde e comprometimento da qualidade de vida deles”, afirmou.


SEGURANÇA ENVOLVE DIFERENTES SETORES


A pesquisa aponta que a segurança dos motociclistas profissionais não depende apenas das decisões individuais.


Empresas, plataformas, poder público, sistemas de saúde, órgãos de trânsito, infraestrutura viária e a sociedade também são apontados como participantes na construção de condições que favoreçam comportamentos seguros.


Os resultados serão apresentados durante a 1ª Cúpula Nacional do Movimento Brasil sobre Duas Rodas, que reúne representantes de diferentes setores para discutir medidas de prevenção de acidentes e redução dos impactos sobre os trabalhadores e o sistema de saúde.


O estudo propõe ampliar o debate sobre segurança, considerando não apenas a conscientização dos motociclistas, mas também as relações sociais e as condições econômicas e de trabalho que influenciam as decisões tomadas durante a jornada.

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