O Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) iniciou o processo de reabertura gradual de sua Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal e do centro obstétrico. As duas alas médicas permaneceram interditadas por seis dias devido a um surto provocado pela superbactéria Serratia spp. Ao todo, nove bebês prematuros contraíram o micro-organismo, resultando na morte de duas crianças.
De acordo com a instituição, o surto é considerado controlado neste momento. O estado de saúde dos outros sete recém-nascidos infectados é considerado estável, mas a causa dos dois óbitos segue sob rigorosa investigação pelas autoridades de vigilância sanitária.
Durante esta fase de retomada, o atendimento foi restrito a gestantes com partos de baixo risco que já realizam o acompanhamento pré-natal no próprio hospital gaúcho.
O perigo da superbactéria oportunista
A Serratia spp é classificada na medicina como uma bactéria multirresistente, apresentando alta resistência a diversos tipos de antibióticos convencionais. O patógeno tem capacidade de provocar quadros clínicos graves, tais como pneumonia, meningite e sepse (infecção generalizada). O micro-organismo ataca principalmente pacientes com o sistema imunológico fragilizado, perfil comum em bebês prematuros internados.
O infectologista Eduardo Sprinz esclarece que a bactéria pertence ao grupo das enterobactérias e pode habitar o corpo humano sem causar danos. Contudo, ela atua de forma oportunista em ambientes hospitalares.
"A persistência dos registros indica a presença de uma fonte ativa que alimenta o surto dentro do hospital", explicou o especialista à repórter Gabriela Dias.
Hipóteses para a contaminação e monitoramento
Técnicos de saúde trabalham com diferentes hipóteses estruturais para apontar a origem exata do problema. Entre as principais linhas de investigação estão:
Uso de materiais médicos com esterilização inadequada;
Falhas no protocolo de higienização das mãos por parte dos profissionais de saúde;
Acúmulo de umidade em pontos específicos das alas, ambiente que facilita a sobrevivência do agente biológico.
A direção do Hospital de Clínicas mantém um monitoramento epidemiológico contínuo e rigoroso de todos os pacientes internados para evitar novas transmissões secundárias. O processo de triagem restritiva seguirá por tempo indeterminado, até que todas as exigências técnicas municipais sejam integralmente cumpridas.