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Viúvo relata terror dentro de piscina de academia em SP: "Parecia cândida"

17 fev 2026 às 10:04

Um dia após receber alta médica, o técnico de informática Vinicius de Oliveira falou pela primeira vez sobre a tragédia que vitimou sua esposa, Juliana Faustino Baseto, de 27 anos. O casal sofreu uma grave intoxicação por cloro enquanto nadava em uma academia na Zona Leste de São Paulo.


Em entrevista ao Jornal da Band, da Band, Vinicius relatou os momentos de desespero vividos no dia 7 de fevereiro. Ele ficou internado por oito dias, sendo sete em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

O incidente

Segundo as investigações, a tragédia ocorreu após um balde de cloro ser misturado à água da piscina enquanto alunos ainda estavam no local. Além do casal, outras cinco pessoas passaram mal.


Vinicius contou que começou a sentir uma ardência intensa na garganta. “Comecei a sentir uma ardência na garganta. Eu senti queimando, parecia que eu tinha engolido cândida [água sanitária]”, relatou. Ao olhar para Juliana, percebeu que ela apresentava os mesmos sintomas e estava paralisada. “Eu viro para trás e ela está igual a mim. Aí eu tive a noção de que não seria só comigo e saí correndo para tirar ela de lá”, afirmou.


Juliana chegou a ser socorrida, mas sofreu uma parada cardíaca decorrente da intoxicação e não resistiu. Vinicius só soube da morte da esposa após recuperar a consciência.


Indiciamento e irregularidades


A Polícia Civil de São Paulo indiciou os sócios da academia C4 Gym — César Michelof Terração e os irmãos Celso e César Bertoloto Cruz — por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de matar. O Ministério Público de São Paulo solicitou a prisão dos três, mas o pedido foi negado pela Justiça.


Além da falha no manuseio dos produtos químicos, foi constatado que a academia funcionava sem alvará. O estabelecimento foi fechado pela prefeitura após a morte da aluna. Um manobrista que auxiliava na limpeza da piscina também prestou depoimento no inquérito.


“Perda irreparável”


De volta para casa, Vinicius enfrenta agora o luto e a ausência da companheira. Ele afirmou esperar que a morte de Juliana sirva de alerta para que haja fiscalização mais rigorosa, evitando novas tragédias.

“Eu estou vivendo o luto, a família está vivendo o luto. É muito difícil. Eu perdi o amor da minha vida. É uma coisa irreparável, eu não vou ter de volta”, desabafou.