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Vorcaro vendeu parte de empresa a fundo da Reag sob ação da PF, diz jornal

08 fev 2026 às 11:49

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro vendeu 55% da Viking Participações, holding patrimonial dona de aeronaves usadas por ele, a um fundo administrado pela Reag, dois meses antes de ser preso, informou o jornal Folha de S.Paulo. Ele renunciou ao cargo de administrador da firma e passou o posto para um ex-despachante de Nova Lima (MG).


Segundo a reportagem, a operação envolveu a entrada do Stern Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia no capital da empresa e foi formalizada em setembro de 2025, período em que o Banco Master, controlado por Vorcaro, já enfrentava uma crise e passava a ser alvo de investigação da Polícia Federal.


A Viking ganhou notoriedade por ser proprietária de três aeronaves utilizadas pelo ex-banqueiro, entre elas um Falcon 7X avaliado em cerca de R$ 200 milhões, apreendido pela PF no dia em que Vorcaro tentou deixar o país, em 17 de novembro. Ele foi solto 12 dias depois.


Documentos registrados na Junta Comercial de Minas Gerais mostram que Vorcaro, além de transferir a maior parte do capital da Viking ao fundo, renunciou à administração da empresa, que passou a ser conduzida por Adriano Garzon Corrêa, um administrador não sócio. Procurado pela reportagem, ele não respondeu.


Em nota ao jornal, a defesa de Vorcaro afirmou que a venda da participação ocorreu ainda em 2024 e que os registros feitos ao longo de 2025 foram apenas formalizações burocráticas. Segundo a defesa, o ex-banqueiro permanece acionista e controlador da Viking e a operação seguiu critérios comerciais regulares.


A Reag, gestora do fundo Stern, não se manifestou à reportagem. A empresa é investigada por suposta participação em fraudes envolvendo ativos ligados ao Banco Master e foi alvo da Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal em agosto de 2025, que apura a atuação do PCC em negócios da economia formal, inclusive no sistema financeiro.


Criada em 2006, a Viking é uma das empresas mais antigas de Vorcaro e já figurou como acusada em um processo da CVM aberto em 2020 para apurar irregularidades em um fundo imobiliário fechado. A holding também aparece em transações imobiliárias ligadas ao escândalo do Banco Master, incluindo a doação de um apartamento avaliado em R$ 4,4 milhões.


Dados da CVM citados pela reportagem indicam que o fundo Stern tinha patrimônio líquido de cerca de R$ 36 mil em setembro de 2024, chegou a registrar saldo negativo de R$ 1,9 bilhão em março de 2025 e encerrou o ano passado com R$ 1,3 bilhão.


Para o professor da USP Carlos Portugal Gouvêa, ouvido pela reportagem, a aquisição é permitida pelas regras da CVM, mas exige atenção quanto à transparência. Segundo ele, o ponto central é verificar se a operação foi corretamente refletida nos balanços do fundo e se as informações foram prestadas dentro dos prazos regulatórios.