O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência da República, firmaram nesta quinta-feira (22) um acordo para permitir a divulgação de seus dados bancários, fiscais e telefônicos. O documento foi apresentado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e estabelece que as informações sejam disponibilizadas simultaneamente, antes do segundo turno das eleições, marcado para domingo (25).
O entendimento foi anunciado pelo senador Camilo Santana (PT-CE), integrante da campanha de Lula. A proposta prevê a abertura integral dos sigilos abrangidos pelas autorizações, incluindo informações de familiares e empresas relacionadas aos candidatos.
O documento tem a assinatura de Lula e da advogada Maria Claudia Bucchianeri, representante jurídica da campanha de Flávio Bolsonaro. A efetivação do acordo depende de uma decisão do ministro André Mendonça, responsável pelo caso no TSE.
Caberá ao magistrado determinar a solicitação das informações ao Banco Central, às instituições financeiras, à Receita Federal e às operadoras de telefonia. A proposta estabelece que os dados sejam publicados no sistema DivulgaCandContas ou em outro endereço eletrônico de acesso público, até as 23h59 desta quinta-feira.
A negociação começou após Lula desafiar Flávio a divulgar informações financeiras e telefônicas durante um debate eleitoral realizado no domingo (18). O candidato do PL apresentou condições para aceitar a proposta, incluindo a ampliação dos dados a serem disponibilizados pelo presidente e por pessoas ligadas a ele.
A campanha petista concordou com as exigências, mas cobrou que a abertura também alcançasse informações da Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira e pertencente ao advogado Willer Tomaz, apontado como próximo de Flávio Bolsonaro.
Segundo uma petição apresentada pela defesa de Lula, a Polícia Federal identificou registros que apontariam Flávio como usuário com privilégios de administração de uma conta bancária da empresa. A relação teria terminado em maio de 2025, depois do início da Operação Sem Desconto, que investiga irregularidades envolvendo benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O documento da campanha petista também cita uma viagem de Flávio em uma aeronave vinculada a uma empresa de Willer Tomaz. As informações fazem parte dos argumentos apresentados para justificar a inclusão da Alcazar no acordo.
De acordo com Camilo Santana, a divergência sobre a empresa foi superada nas negociações entre as campanhas. O acordo foi formalizado nesta quinta-feira, mas a divulgação das informações ainda depende dos procedimentos determinados pela Justiça Eleitoral.