Todos os locais
Todos os locais

Selecione a região

Instagram Londrina
Instagram Cascavel
Brasil
Cascavel e região

Pesquisadores investigam 'sumiço' dos tatuís na costa brasileira

Animais podem ser considerados bioindicadores de qualidade das praias
30 mar 2025 às 15:37
Por: Tâmara Freire - Repórter da Agência Brasil
Mariana Terossi/UFRGS

A ciência está em busca da resposta para o que muitas pessoas que frequentam as praias brasileiras estão perguntando: "cadê os tatuís?" A população dos simpáticos crustáceos está diminuindo, e, em alguns locais, já nem é possível encontrar os bichinhos. Pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) estão investigando as razões para esse desaparecimento, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). 


"A gente entende que está havendo um problema global sobre as espécies emeritas, que estão sendo severamente impactadas pelas transformações do Antropoceno [período da história atual, em que o ser humano produz modificações no planeta], explica a pesquisadora Rayane Abude, do Laboratório de Ecologia Marinha da Unirio. 


"O que acontece? O tatuí não chega na praia? O tatuí chega mas não sobrevive? São os pormenores que a gente precisa olhar, para cada uma das espécies ou para cada uma das localidades, para tentar destrinchar melhor", acrescenta.


O trabalho se debruça sobre o Emerita brasiliensis, espécie mais frequente do litoral brasileiro, e estuda a presença e o ciclo de vida desses pequenos crustáceos em algumas praias do Rio de Janeiro. 


Outras notícias

Vídeo: Incêndio destrói loja de tintas em Santo André, na Grande SP

Morador e sete criminosos morrem durante operação do BOPE

Homem despeja gasolina no chão e coloca fogo em posto de combustível em SC

Historicamente, o local mais estudado é a Praia de Fora, na Zona Sul da capital, onde a presença de tatuís é observada desde a década de 90, e vem diminuindo de lá para cá. Rayane também fez uma grande revisão bibliográfica e encontrou relatos científicos sobre a redução de outras espécies de tatuí em países como Estados Unidos, México, Irã, Uruguai e Peru. 


Ciclo de vida

A pesquisa parte da hipótese de que algumas praias são "fontes", onde novos indivíduos são gerados e depositados no mar, e algumas praias são "sumidouros": recebem os tatuís, mas não fornecem as condições adequadas para o seu crescimento e reprodução.


"As fêmeas colocam ovos, esses ovos levam entre 10 e 19 dias em desenvolvimento. Depois, eles eclodem na água e liberam larvas. Essas larvas vão para o ambiente marinho, passam entre 2 e 4 meses se desenvolvendo, em diversos estágios larvais, até que eles retornam para a praia. Um ponto que ainda está em aberto na minha pesquisa é se elas chegam na mesma praia de origem ou em praias diferentes. Eu estou tentando encontrar essa resposta a partir de marcadores genéticos", complementa a pesquisadora. 

Uma amostragem sistematizada de 189 fêmeas ovígeras, coletadas ao longo de um ano na Praia de Fora, verificou que a fecundidade média foi de 5.300 ovos por fêmea. No entanto, há uma perda significativa de ovos viáveis durante o desenvolvimento embrionário na areia e de larvas dispersadas no oceano. No final, menos de 1% dos ovos resultaram em novos indivíduos. 


Os tatuís que conseguem perseverar nessa primeira batalha retornam às praias como "recrutas", como são chamados os animais jovens. Eles ainda têm uma carapuça frágil e passam a viver enterrados na areia, principalmente na região de espraiamento, a parte que é constantemente molhada pelas ondas. Por isso, os recrutas estão constantemente vulneráveis ao pisoteamento ou esmagamento, em praias frequentadas por humanos, e as praias menos acessadas registram maior densidade de animais. 


Frequentadores se refrescam na Praia do Flamengo, no Rio de Janeiro Fernando Frazão/Agência Brasil

Qualidade das praias

Os tatuís também são muito afetados pela qualidade do mar, porque se alimentam com a ajuda de antenas, que retém micropartículas orgânicas dispersadas na água, e levam esses nutrientes até o aparelho bucal.


"Os canais de drenagem ou os rios que desembocam nas praias, que podem trazer uma série de contaminantes e poluentes, podem estar afetando diretamente esses organismos. A toxicidade foi bastante experimentada e testada para espécies de tatuí, não só brasileiros, e é um fator que provoca altos níveis de mortalidade nessas populações", alerta Rayane Abude. 


Além de desequilibrar o ecossistema das praias e desfalcar a cadeira alimentar, o desaparecimento desses animais representa um péssimo sinal:


"Eles podem ser considerados bioindicadores de qualidade porque são muito sensíveis a contaminantes. A sua presença é um sinal de boa qualidade do ambiente, mas quando o nível de poluentes é alto, eles estão ausentes".

 

Veja também

Relacionadas

Brasil
Imagem de destaque

4º suspeito de envolvimento em estupro coletivo no Rio se entrega à polícia

Brasil
Carro afetado por escombros após chuva em Juiz de Fora (MG)

Número de mortes após chuvas na Zona da Mata mineira sobe para 68

Brasil

Carna Folia 2026 leva 10 mil pessoas às ruas de Rancharia e celebra tradição

Brasil

Confira como vão funcionar os bancos durante o carnaval

Mais Lidas

Cidade
Londrina e região

Londrina recebe mais de 100 pessoas em situação de rua vindas de outros estados

Cidade
Londrina e região

Vereadora de Londrina pede manutenção em ruas de Pinheiros e Itaim Bibi, em São Paulo

Brasil e mundo
Brasil

Mulher mata o pai com ajuda da namorada e depois vão para um bar

Brasil e mundo
Brasil

PM encontra corpos de primos de 4 e 6 anos com sinais de violência dentro de carro

Cidade
Londrina e região

Terminal Metropolitano: Obras entram em nova fase e máquinas avançam em abril

Podcasts

Podcast Café com Edu Granado | EP 62 | Inconformismo que Transforma o Mundo | Caio Garcia

Podcast PodFala com a Tai | EP 11 | Do Acaso ao Sucesso Musical | João Felipe e Murillo

Podcast PodGuest | EP 21 | Espiritualidade e Terapia Holística | Marcia Bernardes

Tarobá © 2024 - Todos os direitos reservados.