Brasil

Tratamento para vício em apostas cresce 140% no SUS

27 jul 2026 às 11:27

A procura por atendimento para compulsão por jogos digitais e apostas de cota fixa teve um crescimento expressivo no Brasil. Dados do Ministério da Saúde apontam que a busca por tratamento para dependência em apostas no Sistema Único de Saúde (SUS) aumentou cerca de 140% nos últimos cinco anos.


Especialistas afirmam que, apesar de os jogos de azar fazerem parte da sociedade há décadas, a popularização da tecnologia, o aumento da publicidade e a facilidade de acesso por meio dos celulares intensificaram o problema.


Segundo a psiquiatra Alessandra Diehl, o perfil dos pacientes que procuram atendimento especializado passou por mudanças nos últimos anos. Antes, os serviços eram mais associados ao tratamento de dependência química, mas agora recebem um número crescente de pessoas afetadas pelo comportamento compulsivo relacionado aos jogos.


A especialista explica que a dependência pode atingir pessoas de diferentes classes sociais, impulsionada pela expectativa de ganho rápido e pela promessa de melhora financeira.


Entre os relatos de pacientes atendidos, há casos de pessoas que acumularam grandes prejuízos financeiros. Em uma das situações, um jogador perdeu um valor equivalente ao preço de um carro zero-quilômetro. Em outro caso, o vício atingiu um casal, ampliando os impactos econômicos e emocionais dentro da família.


Além dos dados da área da saúde, o Ministério da Fazenda informou que cerca de 500 mil pessoas solicitaram a exclusão voluntária de cadastros em plataformas de apostas em apenas um mês.


A regulamentação das apostas esportivas no Brasil, aprovada em 2023, busca organizar o setor, mas especialistas apontam desafios relacionados à fiscalização e ao controle da publicidade.


Para a advogada Gabriela Campos, ainda é necessário fortalecer mecanismos de acompanhamento das plataformas e limitar a exposição de anúncios, principalmente nas redes sociais.


A psiquiatra Alessandra Diehl também alerta para que familiares fiquem atentos aos primeiros sinais de compulsão, como mudanças repentinas no padrão de consumo, ostentação de supostos ganhos e a tentativa de normalizar rendimentos obtidos com apostas.


Segundo especialistas, reconhecer os sinais no início pode ser fundamental para buscar ajuda antes que o problema cause impactos mais graves na vida financeira, familiar e emocional.

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