Quando a natureza é respeitada, ela devolve em forma de espetáculo. E é nesse cenário que começa a nossa nova série: Alma Lavada: as Cataratas como você nunca viu. Uma jornada por dentro do Parque Nacional do Iguaçu, revelando caminhos, experiências e histórias que muita gente nem imagina que existam.
Ao longo dos próximos episódios, você vai conhecer o parque além das quedas d’água. E, para abrir essa série especial, dois protagonistas chamam a atenção: as trilhas sobre duas rodas e as moradoras mais emblemáticas da floresta, as onças.
O Parque Nacional do Iguaçu é um dos maiores patrimônios naturais do Brasil. São 185 mil hectares de floresta preservada, espalhados por 14 municípios do oeste do Paraná. Mas é em Foz do Iguaçu que está o cartão-postal mais famoso: as Cataratas, uma das sete maravilhas naturais do planeta.
E é por um caminho diferente que a nossa história começa. Nada de ônibus ou carros. A proposta é sentir o parque de perto, em um passeio de bicicleta pelas trilhas.
Bruno veio de Santos, no litoral paulista, e já está no terceiro dia explorando o parque. Desta vez, escolheu o roteiro de bike para viver a experiência com mais calma e contato com a natureza.
A mesma empolgação é da Marjori, que saiu de Minas Gerais direto para Foz do Iguaçu. Entre expectativa e adrenalina, ela também topou o desafio de pedalar em meio à floresta.
O trajeto conta com quase 12 quilômetros de ciclovias pavimentadas, ligando o centro de visitantes até uma das quedas d’água mais conhecidas do mundo, bem na fronteira entre Brasil e Argentina. Um percurso que mistura esforço físico, paisagens únicas e silêncio quebrado apenas pelos sons da mata. E, claro, eu também entrei nessa.
No meio do caminho, uma parada estratégica. Um espaço que guarda mais do que informações, guarda histórias de preservação. Para alguns, o medo de encontrar onças é real. Para outros, conviver com elas faz parte da rotina.
Ali funciona o projeto Onças do Iguaçu, que atua na preservação dos grandes felinos, especialmente da onça-pintada, uma espécie símbolo da região e que hoje está ameaçada de extinção.
Anexo ao projeto, uma réplica de fazenda serve como sala de aula a céu aberto. É ali que produtores rurais, principalmente da agricultura familiar, participam de capacitações para aprender a conviver com a fauna silvestre e reduzir os casos de predação.
Um exemplo de que preservar também é ensinar, dialogar e construir caminhos onde natureza e pessoas possam dividir o mesmo espaço, em equilíbrio.