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Alta do diesel pressiona caminhoneiros e ameaça nova paralisação no país

18 mar 2026 às 12:32

A alta no preço do diesel acendeu um alerta nas estradas e já mobiliza caminhoneiros em todo o país. O aumento recente tem pesado no bolso da categoria e pode resultar em uma nova paralisação nacional.


Para quem vive do transporte, o impacto é imediato. O caminhoneiro Cleverson, que trabalha com transporte de vidro importado da China para o Brasil e Paraguai, relata a diferença no custo: no início do ano, encher o tanque custava cerca de R$ 4.500, agora o mesmo abastecimento já passa de R$ 5.500.


Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) apontam que, apenas na última semana, o preço médio do diesel subiu 11,8% no país. No Paraná, a Paranapetro afirma que os reajustes estão sendo rapidamente repassados pelas distribuidoras aos postos, movimento intensificado após o início do conflito no Oriente Médio.


Como os postos são obrigados a comprar combustível das distribuidoras, e não diretamente de refinarias ou importadores, a velocidade e o tamanho dos aumentos acabam sendo determinados por essas empresas.


Desde o começo de março, em algumas distribuidoras, o diesel já acumula alta próxima de R$ 2 por litro. Na prática, o impacto é sentido diretamente por quem depende do combustível para trabalhar.


O caminhoneiro autônomo Gilberto, com 40 anos de estrada, afirma que a situação está cada vez mais difícil. Há cerca de dois meses, ele pagava R$ 5,45 pelo litro do diesel. Agora, o valor já chega a R$ 7, comprometendo a renda e tornando inviável manter os custos do frete.


Diante desse cenário, caminhoneiros de diferentes setores defendem uma paralisação nacional. A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) declarou apoio ao movimento e já cobrou do governo federal medidas para conter o que considera uma alta abusiva nos combustíveis.


Além do preço, outro fator preocupa a categoria: o atraso no transporte de cargas internacionais, especialmente as que passam pelo Estreito de Ormuz, região estratégica para o comércio global.


A combinação de custos elevados e incertezas logísticas aumenta a pressão sobre o setor e pode refletir diretamente no abastecimento e nos preços de produtos em todo o país, caso uma greve venha a se concretizar.

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