Produtores rurais enfrentam um cenário crítico em suas lavouras devido ao calor intenso e à falta de chuvas. O sol, que tem um papel fundamental no bem-estar das plantas, está se tornando o maior inimigo delas. O calor sem pausa, aliado à escassez de chuvas, já afetou a soja e agora compromete a safra de milho, gerando perdas significativas para os produtores.
Em Palotina, a expectativa de colheita de milho era de 7.200 quilos por hectare, mas esse número já foi reduzido para 6.000, e em algumas propriedades, as perdas chegam a 100%. Edmílson Zabott, presidente do Sindicato Rural de Palotina, afirmou que os produtores estão em um período crítico e que muitos foram pegos de surpresa pelo clima, apesar de a crise hídrica já ser uma realidade constante na região.
Eduardo Wammes, engenheiro agrônomo do IDR Paraná de Palotina, destacou que algumas propriedades já registram perdas totais, especialmente no chamado "milho safrinha". Ele também mencionou que é difícil mensurar o potencial produtivo neste momento, dado o impacto da falta de chuvas.
Rogério Pedruzzi, produtor rural no distrito Vila Floresta, interior de Palotina, relatou que o calor tem dificultado cada vez mais o trabalho no campo. Ele explicou que a última chuva significativa ocorreu antes do Natal e, desde então, a precipitação tem sido escassa e insuficiente para o desenvolvimento das lavouras. A falta de chuvas, especialmente para o milho, tem gerado perdas severas nas propriedades.
A propriedade de Rogério, que conta com 8 alqueires, teve o plantio de milho safrinha realizado no dia 6 de fevereiro. No entanto, o milho não ultrapassou 60 cm de altura, quando o normal seria ter mais de 2 metros e espigas já desenvolvidas. Rogério destaca que, para tentar salvar a colheita, seria necessário uma chuva de cerca de 40 a 50 mm apenas para umedecer o solo, seguida de chuvas semanais.
Edmílson Zabott também mencionou que, embora já fosse prevista uma queda na produção por alqueire, as estimativas continuam a diminuir a cada novo panorama. Ele expressou preocupação com os produtores que talvez não consigam arcar com suas dívidas devido às perdas.
A situação é preocupante, e muitos produtores não terão lucro algum. Rogério afirmou que, na melhor das hipóteses, se a chuva e a temperatura colaborarem, ele conseguirá apenas pagar as contas, mas sem obter lucro. Caso contrário, ele terá prejuízos totais.
Além das lavouras, os animais também estão sofrendo com o calor. O estresse causado pelas altas temperaturas afeta a produção de frangos, que não conseguem engordar como deveriam, pois estão mais focados em se hidratar do que se alimentar. A situação também atinge os peixes, com produtores já reportando perdas devido ao calor excessivo.