O sistema de transporte coletivo intermunicipal da Região Metropolitana de Londrina enfrenta uma crise estrutural que exige soluções imediatas e pode forçar uma mudança no modelo de concessão. O alerta foi feito pelo prefeito de Cambé e presidente da Amepar (Associação dos Municípios do Médio Paranapanema), Conrado Scheller, em entrevista ao programa Tempo Quente, da TV Tarobá, apresentado por Rodrigo Marine.
Scheller endureceu o discurso contra as atuais concessionárias que operam as linhas intermunicipais e cobrou uma postura proativa no enfrentamento do déficit financeiro. O presidente da associação regional, que abrange 22 municípios e quase 1 milhão de habitantes, mandou um recado direto às empresas:
"Se a empresa não quiser buscar o trabalhador, que abra espaço para empresas que queiram", declarou Conrado Scheller.
Queda na demanda e busca por subsídio do Estado
De acordo com o presidente da Amepar, o transporte público metropolitano sofreu uma severa redução no volume de passageiros após a pandemia da Covid-19. Fatores como a expansão do mercado de motocicletas particulares, caronas solidárias, a popularização dos aplicativos de mobilidade e o crescimento do trabalho remoto (home office) reduziram drasticamente a viabilidade econômica das linhas tradicionais.
Para evitar o colapso do sistema, a Amepar levou o impasse ao presidente da Alep (Assembleia Legislativa do Paraná), Alexandre Cury. A entidade cobra a implementação de um modelo de subvenção financeira por parte do governo estadual, nos moldes do que já é aplicado na Região Metropolitana de Curitiba. Scheller reforçou que os municípios do interior não possuem margem orçamentária para custear subsídios tarifários sozinhos sem comprometer os investimentos em áreas prioritárias, como a saúde pública.
Vans e micro-ônibus como alternativa
Diante do desinteresse ou da alegação de impossibilidade das grandes concessionárias em atender linhas deficitárias que ligam os bairros periféricos e os distritos rurais da região, a Amepar estuda alternativas descentralizadas.
O município de Cambé, por exemplo, avalia a abertura de chamamentos públicos para formalizar cooperativas locais de vans e micro-ônibus. O objetivo da proposta é aproveitar a frota que já atua no transporte escolar e rural para atender a classe trabalhadora nos horários alternativos de pico, cobrindo os gargalos deixados pelo sistema tradicional.