A sede da Associação dos Municípios do Médio Paranapanema (Amepar) foi palco de uma reunião emergencial que reuniu prefeitos dos 22 municípios da região, gestores de saúde e representantes do Ministério Público do Paraná (MPPR). O objetivo do encontro foi esclarecer a crise institucional na Santa Casa de Londrina, hospital de referência em média e alta complexidade para todo o Norte do Paraná.
O presidente da Amepar, Conrado Scheller, destacou a necessidade de alinhamento entre os gestores municipais, alertando que eventuais paralisações no hospital impactam diretamente a rede pública regional.
"O objetivo é que, de forma coletiva, nós possamos entender toda a profundidade do que tem acontecido com a Santa Casa... A Amepar surge como protagonista dessa conversa... porque todos dependem dessa estrutura de saúde", declarou Conrado Scheller.
Qualquer gargalo operacional no hospital reflete imediatamente nos municípios vizinhos. Segundo o presidente da entidade, os reflexos negativos já são percebidos no atendimento diário à população.
"O prejuízo está posto. Atrasou, travou cirurgia. É por isso que eu acho importante essa reunião hoje aqui, para que todos possam, em conjunto, buscar uma solução não só para a Santa Casa, mas para a rede pública de saúde", completou Scheller.
MPPR aponta honorários milionários e vai recorrer de liminar
Durante o encontro, a promotora de Justiça Susana de Lacerda apresentou aos chefes do Executivo municipal os motivos que levaram o Ministério Público a requerer a intervenção judicial na instituição. Apesar de a medida ter sido suspensa temporariamente por decisão da Justiça, a promotora assegurou que o órgão ingressará com recursos e dará continuidade às apurações.
"O Ministério Público irá recorrer para garantir a continuidade da intervenção e das investigações. Nestes poucos dias foi possível reunir uma vasta documentação que evidencia irregularidades e indícios da prática de crimes", afirmou Susana de Lacerda.
Suspeitas de desvios e verbas federais
A promotora detalhou ainda que o MPPR investiga denúncias de desvio de recursos públicos, incluindo verbas federais repassadas à entidade, além de inconsistências em contratos administrativos.
"Sim, essas suspeitas existem e são objeto de investigação pelo Ministério Público, uma vez que envolvem verbas federais. A instituição contratou uma advogada que recebeu honorários superiores a R$ 4 milhões e custeou um perito no valor de R$ 11 milhões. Tais situações demandam uma investigação minuciosa", concluiu a promotora.