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Anvisa investiga seis possíveis mortes decorrentes do uso de canetas emagrecedoras

14 fev 2026 às 10:54

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) investiga seis mortes suspeitas de estarem relacionadas ao uso de canetas emagrecedoras. O órgão recebeu mais de 200 notificações de pacientes que desenvolveram pancreatite, uma inflamação no pâncreas, após utilizarem os medicamentos. Todos os óbitos seguem em análise para confirmar se houve relação direta com os fármacos, que são indicados para o tratamento de obesidade e sobrepeso.


A nutróloga Giovanna Spagnuolo explica que o risco de pancreatite associado a esses remédios é considerado baixo, atingindo entre 0,1% e 0,2% dos usuários. Segundo a médica, o perigo aumenta com o uso indiscriminado, sem acompanhamento profissional, em doses incorretas ou com a utilização de produtos falsificados. Ela ressalta que condições como diabetes, triglicerídeos elevados e o abuso de álcool já são fatores de risco independentes para a doença.


Os benefícios dos medicamentos ultrapassam o emagrecimento, pois eles atuam na redução de gordura no fígado e diminuem os riscos de infarto e AVC. O corretor de imóveis Guilherme Henrique de Lima, de 42 anos, perdeu 16 quilos de gordura em seis meses utilizando a medicação como facilitadora de um novo estilo de vida. O tratamento do paciente incluiu musculação, suplementação e acompanhamento mensal para reverter um quadro de pré-diabetes e colesterol alterado.


A orientação médica é indispensável durante todo o processo, inclusive na fase final de interrupção do uso. Nenhuma dessas medicações deve ser suspensa de forma repentina, sendo necessário o desmame orientado para evitar o aumento súbito da fome. Especialistas reforçam que as canetas emagrecedoras devem integrar um tratamento completo, que exige mudanças nos hábitos alimentares e a prática regular de atividades físicas.