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Argentina acusada de racismo no Rio coloca tornozeleira eletrônica

A medida é uma das previstas na decisão da Justiça sobre o caso, que aconteceu no dia 14 de janeiro.
21 jan 2026 às 18:28
Por: UOL

A advogada argentina Agostina Páez, 29, que foi filmada fazendo gestos racistas em um bar no Rio de Janeiro, instalou hoje a tornozeleira eletrônica.


O que aconteceu?

A informação da colocação do equipamento na argentina foi confirmada pela SEAP (Secretaria de Administração Penitenciária). Medida é uma das previstas na decisão da Justiça sobre o caso, que aconteceu no dia 14 de janeiro.


Agostina registrou um boletim de ocorrência por ameaças ontem. Ela procurou a Delegacia Especial de Apoio ao Turista, e a Polícia Civil confirmou hoje ao UOL que o caso está sendo investigado.


A advogada relatou aos policiais estar sendo ameaçada pelas redes sociais. "A coitadinha está apavorada. 'Papai, eles querem me matar aqui', ela acabou de me dizer", contou ontem o pai dela ao jornal argentino Clarín.

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A mulher também disse à polícia que "pessoas estranhas" estiveram na portaria do prédio onde estava hospedada nessa semana. Ainda à imprensa argentina, ela explicou que o endereço onde ela ficava foi divulgado e três homens teriam estado no local enquanto ela tinha saído para comprar comida. "Disseram que a polícia estava me procurando, mas a polícia não está me procurando porque estou em contato constante com eles."


Já registrei queixa e agora estou prestes a me mudar para outro lugar. Os brasileiros me odeiam. 

Agostina Páez, ao Clarín


O UOL entrou em contato com o advogado da argentina. Não houve retorno até o momento, mas o espaço segue aberto para manifestação.


Entenda o caso

Agostina foi flagrada praticando ofensas racistas na saída de um bar. O episódio ocorreu na quarta-feira (14), mas ela só prestou depoimento no sábado (17), quando teve o documento apreendido.


Vítima, que não teve a identidade revelada, registrou boletim de ocorrência na quarta-feira (14). De acordo com a polícia, o homem, que é funcionário do bar, informou que a argentina teria lhe apontado o dedo e proferido ofensas de cunho racial ao chamá-lo de "negro" de forma pejorativa e discriminatória. Ele foi ouvido novamente ontem (20).


Confusão foi iniciada após a argentina alegar suposto erro no pagamento de uma conta. Para sanar dúvidas, o gerente pediu à Agostina que aguardasse enquanto ele iria conferir as imagens das câmeras de segurança do estabelecimento para verificar o que ela havia consumido.


Durante o período de espera, Agostina deu início aos xingamentos e ofensas discriminatórias contra um funcionário do bar, segundo a polícia. Parte da confusão foi registrada em vídeo e as imagens mostram a argentina imitando gestos de macaco e reproduzindo sons do animal para a vítima. Ela também proferiu a palavra "mono", expressão em espanhol para se referir a macaco de forma racista. A argentina estava no bar acompanhada por duas amigas, que não são investigadas.


Páez disse em depoimento que estava 'brincando'

Em depoimento, a argentina negou que o gesto de imitar um macaco tenha sido com conotação discriminatória. "Ela alegou que os gestos corporais simulando o primata, o macaco, ela estava se portando às suas amigas em um tom de brincadeira, não à vítima [que é um homem negro]", disse o delegado Diego Salarini.


Agostina afirmou que não sabia que seu comportamento era considerado crime no Brasil. No depoimento, ela também afirmou que foi provocada pelos funcionários do bar, que teriam feito "gestos obscenos" para ela e as amigas.


Racismo x injúria racial

A Lei de Racismo, de 1989, engloba "os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional". O crime ocorre quando há uma discriminação generalizada contra um coletivo de pessoas. Exemplo disso seria impedir um grupo de acessar um local em decorrência da sua raça, etnia ou religião.


O autor de crime de racismo pode ter uma punição de 1 a 5 anos de prisão. Trata-se de crime inafiançável e não prescreve. Ou seja: no caso de quem está sendo julgado, não é possível pagar fiança; para a vítima, não há prazo para denunciar.


Já a injúria racial consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião ou origem a fim de atacar a dignidade de alguém de forma individual. Um exemplo de injúria racial é xingar um negro de forma pejorativa utilizando uma palavra relacionada à raça.


Saiba como denunciar

Você pode procurar delegacias especializadas, como, por exemplo, o Decradi em São Paulo e o Geacri em Goiás, ou ainda fazer um boletim de ocorrência em qualquer delegacia física ou online.


Caso seja um flagrante, ligue para o 190. Por telefone você também pode ligar no Disque 100 ou no Disque Denúncia da sua cidade.

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