Uma rodovia duplicada que, na teoria, deveria representar mais agilidade e segurança, mas que na prática tem gerado preocupação e prejuízos. Quem trafega pelas BR-467 e BR-163, no trecho entre Cascavel e Toledo, enfrenta diariamente um verdadeiro teste de resistência para os veículos.
Apesar de duplicada, a rodovia está longe de oferecer as condições esperadas pelos motoristas. Em diversos pontos, o asfalto apresenta ondulações e deformações que fazem os veículos trepidarem, mesmo quando trafegam em baixa velocidade.
O trecho é considerado um dos principais corredores logísticos do Oeste do Paraná. Todos os dias, milhares de veículos passam pelo local, entre carros, ônibus e caminhões carregados com a produção agrícola da região, além de maquinários e insumos.
Mas quem utiliza a rodovia relata dificuldades constantes. Nesta terça-feira, por exemplo, um motorista seguia sentido Cascavel quando perdeu o controle do caminhão após uma forte trepidação na pista. O veículo, carregado com soja, acabou tombando em uma curva.
Em outro caso, o caminhoneiro Paulo precisou parar em uma borracharia depois que um pneu estourou durante o trajeto — um prejuízo que ele atribui às más condições do pavimento.
O trecho faz parte de um lote com mais de 430 quilômetros que será administrado por uma concessionária. Mesmo antes da assinatura definitiva do contrato, com autorização do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná, a empresa já iniciou alguns serviços iniciais, como a limpeza do matagal às margens da rodovia, que também vinha sendo alvo de reclamações dos motoristas.
Outras melhorias devem começar na sequência, após a formalização do contrato de concessão. Próximo ao distrito de Sede Alvorada, por exemplo, a previsão é que a cobrança de pedágio seja feita por meio de pórticos no sistema conhecido como free flow, sem praças físicas de cobrança.
No entanto, a tarifa só poderá começar a ser cobrada após autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres.
Entidades que acompanham o processo das novas concessões afirmam que pretendem manter fiscalização constante para garantir que eventuais cobranças venham acompanhadas de melhorias reais nas condições da rodovia.