O caso da monitora de 54 anos presa por suspeita de agredir crianças em um CMEI de Cascavel chegou à Câmara de Vereadores. Integrantes da Comissão Permanente de Educação participaram de uma reunião a portas fechadas com representantes da Secretaria Municipal de Educação para discutir as denúncias e os procedimentos adotados pelo município.
A comissão é presidida pelo vereador Rondinelle Batista e tem Antonio Marcos como membro. Entre as atribuições do colegiado está acompanhar e fiscalizar questões relacionadas à educação municipal.
A monitora foi presa preventivamente por suspeita de tortura, maus-tratos e lesão corporal contra quatro crianças de três anos no CMEI Geraldo Figueiredo, no bairro Santa Cruz. Ela também é investigada por supostamente coagir testemunhas. A investigação que levou à prisão teve início em abril.
Um dos principais questionamentos levantados é justamente sobre o período entre o conhecimento das denúncias e o afastamento da servidora. O presidente da Comissão de Educação foi questionado sobre a razão de a profissional não ter sido retirada imediatamente das atividades.
Durante a reunião, o vereador também mencionou a possibilidade de implantação de câmeras de monitoramento nos CMEIs de Cascavel como uma das medidas para ampliar a segurança e o acompanhamento da rotina nas unidades.
Nova denúncia envolve a mesma unidade
Em meio à repercussão do caso, outra mãe procurou a equipe da Tarobá para relatar uma denúncia envolvendo a mesma unidade. Segundo ela, a filha, que tinha três anos em 2024, teria sofrido maus-tratos enquanto frequentava o CMEI Geraldo Figueiredo.
Na época, foram registrados dois boletins de ocorrência sobre o caso. Segundo a mãe, a profissional apontada na denúncia continua trabalhando na unidade e a investigação permanece ativa.
O Município informou, em nota, que o processo foi arquivado em janeiro de 2025 por ausência de elementos que comprovassem autoria e materialidade. A administração também afirmou que, por se tratar de procedimento protegido por sigilo, não poderia fornecer detalhes, ressaltando que atua de acordo com os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa.
Outro caso também entra no debate
A atuação da Comissão de Educação também envolve outro caso que teve grande repercussão no município. Um agente de apoio de um CMEI foi condenado, em março de 2025, a 30 anos de prisão por estupro de vulnerável, por abusos cometidos contra uma criança de três anos em 2019.
A situação provocou questionamentos porque, mesmo após a denúncia, o servidor permaneceu trabalhando em CMEIs por anos. A demissão ocorreu somente em novembro de 2024.
Os casos voltam a colocar em discussão os protocolos adotados pelo município diante de denúncias envolvendo profissionais que trabalham diretamente com crianças e a necessidade de medidas preventivas enquanto as apurações estão em andamento.