A investigação sobre a lesão sofrida pelo atleta William Massuda, conhecido como Kabuto, durante um campeonato de luta em Londrina, entrou na reta final. Segundo o delegado Roberto Fernandes, do 5º Distrito Policial, faltam os depoimentos dos dois atletas envolvidos e a conclusão da perícia sobre a lesão.
A última testemunha foi ouvida pela polícia. O diretor de arbitragem estava no campeonato, mas não acompanhou de perto o momento do golpe. Após analisar as imagens da luta, porém, ele concordou com a desclassificação de Juliano de Pelli, por entender que o golpe aplicado foi ilegal.
Segundo o delegado, o diretor foi acionado porque o árbitro da luta já avaliava desclassificar o atleta. Após analisar as imagens, ele confirmou a decisão e classificou o golpe como um “bate-taca”, conforme a terminologia utilizada na arbitragem.
Kabuto será ouvido por videoconferência
Kabuto recebeu alta hospitalar, mas permanece em internação domiciliar e segue em recuperação.
O depoimento da vítima foi agendado para ser realizado por videoconferência. A perícia também deverá avaliar a lesão de Kabuto na própria residência.
Depois de ouvir a vítima, o delegado pretende intimar Juliano para prestar depoimento. Segundo Fernandes, será dado um prazo para que o atleta tenha conhecimento da investigação e procure um advogado.
A previsão é que o depoimento do atleta ocorra cerca de 10 dias após a oitiva de Kabuto.
Laudo vai definir enquadramento
A perícia será fundamental para determinar a gravidade da lesão e, consequentemente, o possível enquadramento jurídico do caso.
O delegado explicou que existem diferentes classificações para lesão corporal e que o resultado da perícia será necessário antes da conclusão do inquérito.
Em casos em que há necessidade de acompanhamento da evolução da lesão, podem ser realizadas novas avaliações periciais. Segundo Fernandes, uma lesão considerada gravíssima pode demandar uma avaliação complementar em prazo de até 180 dias.
Caso a perícia conclua pela existência de lesão corporal de natureza gravíssima, a pena prevista para esse crime é de 2 a 8 anos de reclusão.
Intenção também será analisada
Além da gravidade da lesão, a investigação deverá avaliar as circunstâncias da conduta do atleta.
A polícia vai analisar se houve intenção de produzir o resultado ou se o atleta teria assumido o risco de causar a lesão. Também será considerada a possibilidade de uma conduta culposa, quando não há intenção de provocar o resultado, mas a ação pode ter contribuído para que ele ocorresse.
O delegado ressaltou que ainda não definiu o enquadramento legal.
“Só a partir deste laudo é que eu posso encerrar o inquérito. Não tem como eu fazer antes, porque eu preciso do laudo pericial para poder definir o enquadramento legal”, explicou Roberto Fernandes.
Segundo ele, o convencimento sobre o caso será formado somente ao final da investigação, após a análise de todas as provas.