Os funcionários e proprietários de uma fazenda em Tamarana deixaram a propriedade rural após um cerco realizado por indígenas. O caseiro da fazenda relatou os momentos de terror que ele e a família viveram durante a situação.
“Eles quebraram tudo com pedras e deram apenas 40 minutos para a gente sair. No desespero, acabei me separando do meu filho de 16 anos; ele teve que atravessar uma represa a nado, sem fazer barulho para não ser visto, enquanto eu me escondia na água por duas horas para fugir do fogo que atearam na mata onde eu estava. Ficamos caçados como bichos, sem saber se o outro estava vivo.”
Segundo o proprietário da fazenda, a disputa pelas terras começou há cerca de dez anos, quando indígenas ocuparam parte da propriedade. A justificativa apresentada por eles é de que teria ocorrido um erro na demarcação da Terra Indígena Apucaraninha, realizada na década de 1950.
O advogado dos fazendeiros afirma que nunca houve provas desse suposto erro. Um acordo firmado em 2016, que previa 90 dias, acabou se estendendo até 2026, já que a reintegração de posse não foi cumprida pelas autoridades ao longo desse período.
O proprietário da fazenda, Eucler Alcântara, afirma que tentou resolver o conflito de forma pacífica, mas relata que os episódios de violência se intensificaram nos últimos três anos, especialmente durante os períodos de plantio e colheita.
Atualmente, os funcionários e o dono da propriedade afirmam que não conseguem retornar ao local para buscar roupas e pertences pessoais que ficaram na casa após o último cerco. Eles pedem uma solução rápida da Justiça para garantir a segurança e a retomada das atividades na fazenda.