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Cirurgia inovadora devolve movimentos das pernas à pequena Íris em Londrina

07 fev 2026 às 13:45

Depois de mais de três anos de sofrimento e angústia, finalmente, a família da pequena Isis, pode respirar aliviada. A menina que nasceu com problemas graves na medula espinhal e já estava sem os movimentos, por falta de força nos membros inferiores, conseguiu mexer os pés, 24 horas depois de passar por cirurgia.


A mãe de Isis, Jeniffer Costa Azevedo, mai consegue explicar a sensação de ver a filha, de 3 anos e meio, em recuperação. "Uma alegria imensa ver os pezinhos dela se movimentando de novo", diz emocionada.

isis, que mora com os pais e uma irmã adolescente em Ubatuba-SP, travou longas e dolorosas batalhas, ainda recém-nascida. 


Ela foi diagnosticada com as doenças de Mielomeningocele, em que medula espinhal e os nervos ficam expostos nas costas e Arnold-Chiari Il, que é o deslocamento do cerebelo (parte do sistema nervoso) e do tronco encefálico (base do cérebro), e que provoca a compressão de estruturas nervosas importantes, responsáveis pelos movimentos e coordenação motora. 


A menina foi operada no segundo dia de vida e logo depois, também passou por uma cirurgia para iniciar a drenagem no cérebro, já que a hidrocefalia é uma das consequências da condição em que Isis nasceu. Ela passou meses internada, com várias complicações. Mesmo depois que Foi para casa, ficou mais 8 meses usando oxigênio. E foi neste período, que a mãe da menina começou a perceber que ela estava perdendo os movimentos das pernas, além de uma escoliose grave, a coluna estava ficando curva e provocando sofrimento na criança. Uma batalha atrás da outra para confirmar o diagnóstico correto. 


Na internet, a mãe de Isis, encontrou o neurocirurgião pediátrico, Dr. Alexandre Canheu, que numa das postagens falava sobre a "medula presa". Jeniffer reconheceu os sintomas da filha, imediatamente. A condição era tratável, explicou o médico, numa conversa, online, com a família. "Nestes casos, a medula fica fixada a tecidos próximos e impede qualquer movimento" , atırma o especialista.


Desta primeira conversa, dois anos atrás, nasceu a esperança de ver Isis curada. Foram várias consultas e análise de exames até a tão aguardada cirurgia. "Dr. Alexandre Canheu sempre tratou a Isis e nossa família com muito carinho, respeito e profissionalismo. Sempre foi muito atencioso e preocupado com nossa filha",  relata Jennifer.


Jennifer, que precisou abandonar o trabalho como confeiteira para cuidar de Isis e o marido, Bruno Poça Dágua, que é gerente de supermercado, em Ubatuba-SP, fizeram uma vaquinha virtual, entre outras campanhas, para arrecadar fundos e se prepararam para trazer a pequena para Londrina. Entre o pré e o pós-operatório, a família precisaria ficar 2 meses na cidade.


Condição grave, cirurgia delicada, mas muita confiança!

A cirurgia, realizada no hospital Evangélico de Londrina, durou pouco mais de 3 horas. A mãe de Isis diz que em nenhum momento em que filha ficou no centro cirúrgico ficou apreensiva. "Meu coração de mãe estava tranquilo quando ela estava na mesa de cirurgia porque eu sabia que tudo estava no tempo certo de Deus e com o médico certo". De acordo com o neurocirugião pediátrico, tudo correu bem.


"Entramos na cicatriz, soltamos as aderências, que ficam na pele, na gordura, no músculo. Depois de localizar o problema, acharmos o finalzinho da medula e precisamos soltar eidentificar cada um destes nervos. É uma cirurgia delicada, que exige experiência, completa o médico.


De acordo com Dr. Canheu, quanto mais tempo Isis levasse sem passar pela cirurgia, mais os riscos de complicações aumentariam. "Ela iria perder força nos braços também, porque vai machucando toda a medula de baixo para cima. Isis já estava com problemas na bexiga. A urina começa a voltar para o rim e isso poderia levar à perda do órgão. A condição da paciente também poderia provocar problemas respiratórios graves, que inclusive, poderiam levar a óbito", explica.


Próximos passos para Isis: recuperação e reabilitação

Isis, falante e sorridente, se recupera rápido, mas precisa ficar em observação, passar por várias consultas até o início de Fevereiro, quando deve retornar para casa, no litoral de São Paulo.

Isis, falante e sorridente, se recupera rápido, mas precisa ficar em observação, passar por várias consultas até o início de Fevereiro, quando deve retornar para casa, no litoral de São Paulo. Agora, é o trabalho de recuperação e depois o de reabilitação.


"O objetivo da cirurgia foi alcançado. Ela está fora de risco de complicações neurológicas. A coluna que era bem torta, com escoliose grave, já está voltando ao normal. Só a fisioterapia vai poder dizer onde a Isis pode chegar. Se ela vai andar, não podemos saber", conclui.


A família sabe que a menina pode não andar, mas com os movimentos das pernas e pés retomando e sem os riscos graves que poderiam leva-la à morte por causa da medula presa, é uma grande vitória. "Dr. Canheu e toda a equipe salvaram minha família. Ela vai poder crescer sendo uma pessoa feliz e saudável. Se ela vier a andar, e existe esta possibilidade, é uma consequência, finaliza Jenniffer.

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