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Comissão Processante investiga vereador por contratos com prefeitura; parlamentar afirma perseguição política

05 mai 2026 às 15:11

Uma denúncia de irregularidade administrativa levou a Câmara Municipal de Arapongas a abrir uma Comissão Processante (CP) contra o vereador Paulo Grassano (PP). O parlamentar é acusado de manter contratos entre uma empresa de sua família e a prefeitura, o que violaria a Lei Orgânica do Município. O caso, que pode resultar na cassação do mandato, também virou alvo de inquérito da Polícia Civil por suspeita de fraude na denúncia e perseguição política.


A investigação interna foi aprovada em uma votação apertada, decidida pelo voto de desempate do presidente da Casa, Márcio Nickenig. Foram oito votos favoráveis e sete contrários. Segundo o presidente, a medida visa a transparência. "Foi colocado como seria interessante dar sequência para a comissão processante analisar novamente e daí sim uma possibilidade de uma próxima votação, aí sim a possibilidade de ser cassado ou não", explicou Nickenig.


Contrato e Defesa

As acusações baseiam-se em documentos e impressões de redes sociais que apontam Grassano como diretor de uma concessionária de veículos. A empresa teria vencido um pregão de R$ 250 mil no ano passado, além de prestar serviços contínuos ao município. A legislação proíbe que agentes públicos utilizem o cargo para obter benefícios particulares.


Por outro lado, Paulo Grassano afirma ser vítima de um complô. Ele defende que a empresa atua dentro da legalidade por ser a única autorizada na região para determinados serviços. "Desde 2020, ela presta serviços apenas para os veículos que são da marca Renault e estão em garantia da prefeitura. Não tinha uma outra empresa para poder prestar esse serviço aqui em Arapongas", justificou o vereador.

Caso de Polícia

O parlamentar levou o caso à delegacia após identificar inconsistências no documento da denúncia. A Polícia Civil investiga agora crimes de falsidade ideológica e associação criminosa, após identificar que a rubrica da denunciante teria sido retirada da internet. "Ela disse que não sabe de onde veio aquela assinatura e tal, não obstante ela fala que realmente ela denunciou", afirmou o delegado Maurício Camargo.


A investigação policial aponta ainda que a suposta denunciante é irmã do suplente de Grassano, o que configuraria interesse direto na cassação. Grassano comentou a relação: "Claro que acabaram pegando uma pessoa que automaticamente tinha um interesse a mais, porque ninguém ia vir aqui talvez denunciar um vereador sem ter nada em troca".


Há também relatos de coação. Um vereador, que teve a identidade preservada, afirmou à polícia estar sendo pressionado a votar pela cassação. O delegado Maurício Camargo sugeriu que a origem das irregularidades no processo pode estar dentro do próprio Legislativo: "Muito embora as diligências que foram feitas nesse sentido não confirmavam a assinatura do denunciante, foi um fato, e apresentou esses documentos".

Repercussão

Nas ruas, a opinião da população se divide entre a fiscalização e a descrença política. "O que eu vejo é mais o que o pessoal posta na internet, no Instagram", afirmou uma moradora ouvida pela reportagem.


A prefeitura informou que não irá se manifestar sobre o processo para não interferir nos trabalhos do Legislativo. O desfecho do caso depende agora do relatório da Comissão Processante e de uma futura votação em plenário, enquanto a Polícia Civil segue com a perícia técnica nos documentos apresentados.

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