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Espetáculo homenageia Nina Simone e ícones do jazz na AML Cultural

10 mar 2026 às 13:17

A força estética e política do jazz e do blues ganha protagonismo em “Vozes e Heranças: Um Concerto de Jazz & Blues”, espetáculo que acontece na próxima quinta e sexta-feira (12 e 13 de março), na AML Cultural. No palco, a cantora, produtora e pesquisadora Cecília Bandeira divide a cena com o pianista Daniel Grajew (SP) em um concerto que percorre o repertório eternizado por mulheres negras que marcaram a história da música.


O espetáculo reverência artistas como Billie Holiday, Ella Fitzgerald e Sarah Vaughan, com destaque especial para Nina Simone, intérprete que transformou o palco em território de afirmação, enfrentamento e consciência política. No repertório, clássicos como “My Baby Just Cares for Me”, “Love Me or Leave Me”, “Ain’t Got No”, “I Got Life e Feeling Good”, músicas que atravessam gerações e dialogam com o presente. Mais do que um recital, “Vozes e Heranças” propõe uma experiência de escuta. Voz e piano constroem uma atmosfera intimista e intensa, onde cada canção revela camadas de memória, identidade e permanência. Em “Vozes e Heranças”, a música não é apenas repertório: é herança viva.


Com mais de duas décadas de trajetória, Cecília Bandeira desenvolve um trabalho contínuo de pesquisa e performance dedicado às raízes negras do jazz e do blues, afirmando em cena o protagonismo de mulheres pretas na história da música. Há cinco anos, essa investigação também se tornou acadêmica, aprofundando-se no campo da pesquisa universitária e fortalecendo o diálogo entre palco e reflexão crítica. 


Para ela, interpretar o repertório das grandes vozes femininas do jazz e do blues é um gesto artístico profundamente ligado à memória e à história. “Nos concertos, essa reflexão encontra seu ponto mais intenso na obra de Nina Simone, artista que transformou a música em uma poderosa forma de expressão política, estética e existencial”, comenta. 


“Cantar essas obras é reconhecer o legado de mulheres negras que converteram dor, resistência e experiência social em linguagem artística universal”, afirma Bandeira. No caso de Nina Simone, continua a artista, cada canção carrega não apenas sofisticação musical, mas também uma coragem rara de confrontar injustiças e dar voz às tensões do seu tempo.


O show na AML ainda representa uma ponte entre passado e presente. “A força dessas vozes continua ecoando nas discussões contemporâneas sobre cultura, identidade e justiça social. Reinterpretar a música imortalizada por essas cantoras é assumir, acima de tudo, a responsabilidade de manter viva uma tradição em que a música também é consciência, memória e resistência”, afirma


Ao seu lado está Daniel Grajew, pianista premiado, de sólida formação erudita e ampla atuação no jazz e na música instrumental brasileira. Ele atua ao lado de grandes vozes da música brasileira, como Zizi Possi e Marisa Monte, entre outras artistas de destaque nacional. No palco, constrói um diálogo musical refinado e sensível, ampliando as camadas expressivas do concerto com escuta atenta e profunda musicalidade.


As duas apresentações na AML Cultural integram o projeto “Sons de Resistência, um tributo à força e à luta das mulheres pretas na história da música, com especial reverência à ativista e ícone Nina Simone”, realizadas com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio da Secretaria Municipal de Cultura de Londrina. Os ingressos para o concerto são gratuitos e podem ser retirados pela plataforma Sympla. Ao articular formação e apresentação artística, “Sons de Resistência” amplia o impacto cultural da iniciativa: a escuta se estende do palco ao encontro coletivo, da música à conversa, da memória à ação.


Além do espetáculo, o projeto promove Rodas de Conversa gratuitas e a primeira já foi realizada, no Norte Cultural. Mais uma deve acontecer, com data ainda a ser definida. Cada encontro conta com momentos musicais e de diálogo, com Cecília Bandeira na voz e participação do músico Caio Massoni no piano digital. No intervalo das rodas de conversa, haverá um momento de confraternização com coffee break, criando um ambiente acolhedor e propício às trocas entre os participantes. Metade das vagas é destinada a políticas afirmativas, reforçando o compromisso do projeto com a democratização de acesso.

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