A situação é de extrema preocupação nos corredores do Conselho Tutelar da zona norte de Londrina, onde o volume de trabalho ultrapassou todos os limites suportáveis. Atualmente, cada um dos cinco conselheiros da região realiza, em média, 1.129 atendimentos por ano, um número assustador quando comparado às outras unidades da cidade, que flutuam entre 300 e 600 casos. Essa sobrecarga absurda é herança do fechamento de uma das sedes em 2020, que concentrou toda a demanda de vulnerabilidade e violência da região em apenas cinco profissionais.
O impacto dessa pressão já reflete diretamente na saúde de quem deveria proteger nossas crianças e adolescentes, com registros de afastamentos por burnout e esgotamento mental. A conselheira Patrícia Mafalda alerta que a qualidade do serviço está comprometida, e os números confirmam a gravidade: estima-se que cerca de 800 atendimentos deixaram de ser realizados desde 2024 simplesmente por falta de braço para trabalhar. Enquanto o Ministério Público acompanha o caso, a prefeitura afirma que não há recursos para abrir uma nova unidade na região no momento.
Como solução imediata para evitar o colapso total, os conselheiros sugerem a redistribuição da demanda para as unidades da região central e da zona oeste, que possuem menor volume de casos e fácil acesso por linhas de ônibus. No entanto, a categoria afirma que existe uma forte resistência interna e por parte da administração municipal para colocar as mudanças em prática. Enquanto o impasse continua, a Zona Norte segue sobrecarregada, e centenas de menores correm o risco de ficar sem o amparo necessário em situações de risco.