A Polícia Civil do Paraná confirmou, no início da tarde desta quinta-feira (5), que o corpo localizado no distrito de Vila Reis, em Apucarana, pertence à costureira Cíntia Cristina Silveira da Costa, de 31 anos, desaparecida desde 25 de maio de 2025.
Desde o registro do desaparecimento, a polícia mobilizou mais de 20 investigadores, realizando buscas intensas na região, incluindo inspeções em fossas, que inicialmente não apresentaram resultados. Logo no início das apurações, as autoridades descartaram a hipótese de desaparecimento voluntário, reunindo indícios que apontavam para homicídio.
As investigações foram conduzidas pela Delegacia da Mulher e pela 17ª Subdivisão Policial (SDP) de Apucarana. Após quase nove meses de trabalho investigativo, o caso teve um desfecho com a prisão do principal suspeito, também de 31 anos, na cidade de Campinas (SP). O homem confessou o crime e revelou à polícia onde havia ocultado o cadáver, em uma área de mata densa no distrito de Vila Reis.
Em coletiva de imprensa, a delegada Luana Louzada Lopes, titular da Delegacia da Mulher e responsável pelo caso, classificou a apuração como uma das mais complexas de sua carreira. Segundo ela, o suspeito não possuía antecedentes criminais e mantinha emprego fixo em Apucarana há cerca de seis anos, tendo rompido o silêncio após ser confrontado com provas técnicas obtidas pela equipe de inteligência.
A partir da quebra de sigilo telefônico, a polícia descobriu que Cíntia conheceu o suspeito durante uma festa na madrugada de 24 para 25 de maio. Testemunhas confirmaram que os dois deixaram o local juntos em um carro branco, cujas características coincidiam com uma Parati utilizada pelo investigado. Dados de telefonia indicaram que o último sinal dos celulares da vítima e do suspeito foi registrado na região de Vila Reis.
De acordo com o relato do homem, já em sua residência, sob suposto efeito de álcool e drogas, houve uma discussão após ele se recusar a levar Cíntia embora. O suspeito alegou legítima defesa, afirmando que a vítima teria pegado uma faca, mas confessou ter desferido três golpes contra ela. Após o crime, ele enrolou o corpo em um cobertor e o enterrou em uma cova rasa em um loteamento isolado.
Dias depois, o suspeito apresentou um ferimento na mão, pediu demissão do emprego e fugiu para Campinas, sua cidade natal, onde foi localizado e preso com apoio da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de São Paulo.
Durante as investigações, a polícia chegou a realizar escavações na casa do suspeito, sem sucesso. A localização dos restos mortais só foi possível após a transferência do preso para Apucarana, onde ele indicou pessoalmente o ponto exato. No local, a perícia criminalística encontrou vestes compatíveis com a descrição fornecida pelo autor do crime.
O material recolhido foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), onde serão realizados exames complementares e confronto genético para confirmação laboratorial da identidade e determinação da causa da morte. O suspeito permanece à disposição da Justiça, e a Polícia Civil não descarta sua transferência definitiva para o sistema prisional de Campinas, por questões de segurança.
A corporação informou que detalhes adicionais sobre a motivação e a dinâmica do crime seguem sob sigilo para preservar o andamento do inquérito e respeitar a família da vítima.