A Câmara Municipal de Mauá da Serra, no norte do Paraná, identificou possíveis irregularidades em pagamentos da Prefeitura a uma empresa de guincho e sucatas. O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) recomenda que o caso seja encaminhado ao Ministério Público, ao Tribunal de Contas do Paraná e ao Executivo municipal para apuração.
Um dos principais pontos investigados é o pagamento de R$ 900 por um serviço de guincho cuja realização não foi comprovada. A comissão também analisou um possível conflito de interesses envolvendo a secretária municipal de Saúde, Cleudete Machado de Oliveira, e o proprietário da empresa contratada, com quem ela mantém um relacionamento amoroso.
CPI questiona serviço de guincho de R$ 900
Segundo o relatório, o pagamento se refere a um suposto transporte de um veículo da frota municipal até uma concessionária em Maringá.
A nota fiscal do serviço foi emitida em julho de 2025. No entanto, documentos analisados pela CPI indicam que o veículo já estava na concessionária desde junho daquele ano. Os registros também apontam que o carro teria sido levado ao local por servidores da própria Prefeitura.
Diante das divergências, a comissão não encontrou comprovação de que a empresa tenha realizado o transporte pelo qual recebeu R$ 900.
Relatório aponta possível conflito de interesses
Outro ponto analisado foi o relacionamento entre a secretária de Saúde e o proprietário da CD – Guincho e Sucatas Ltda.. Conforme o relatório, Cleudete atestou que o serviço de R$ 900 havia sido realizado.
Para a CPI, a situação pode representar um possível conflito de interesses e levantar questionamentos sobre o cumprimento dos princípios da impessoalidade e da moralidade na administração pública.
A investigação identificou R$ 2.300 em empenhos relacionados à empresa. Desse total, R$ 1.550 foram efetivamente pagos pela Secretaria de Saúde, enquanto R$ 750 foram empenhados pela Secretaria de Administração, sem comprovação de pagamento nos documentos analisados.
Apesar das irregularidades apontadas, a comissão não comprovou superfaturamento nem encontrou evidências de que os outros dois serviços analisados não tenham sido realizados.
CPI recomenda envio do caso ao Ministério Público
No relatório final, a comissão recomenda o encaminhamento dos documentos ao Ministério Público do Paraná e ao Tribunal de Contas do Estado, além da Prefeitura de Mauá da Serra.
O objetivo é permitir a análise dos fatos, a apuração de eventuais responsabilidades e a verificação de possível prejuízo aos cofres públicos.
Os apontamentos da CPI não representam uma condenação. A responsabilidade de cada envolvido ainda deverá ser analisada pelos órgãos competentes.
Prefeitura diz que ainda não recebeu relatório
Em nota, a Prefeitura de Mauá da Serra informou que ainda não recebeu oficialmente da Câmara Municipal a íntegra dos documentos e das conclusões do relatório final da CPI nº 002/2026, publicado no Diário Oficial do Município em 19 de outubro de 2026.
O Executivo afirmou que, assim que receber a documentação, realizará uma análise técnica e jurídica e adotará as medidas administrativas necessárias, caso sejam cabíveis.
A administração municipal também ressaltou que serão observados o devido processo legal e o interesse público.