O encerramento da série especial "Da Índia ao Paraná" revela que os frutos da corajosa missão iniciada por Celso Garcia Cid na década de 1960 vão muito além dos troféus expostos na Fazenda Cachoeira. Hoje, o Brasil consolidou-se como o maior produtor e exportador de carne bovina do planeta, atingindo a marca histórica de 3,5 milhões de toneladas exportadas apenas em 2025.
A revolução genética baseada em três raças fundamentais trazidas naquela expedição — Nelore (Arjum), Gir (Krishna) e Guzerá (Pareu) — permitiu que o país desenvolvesse uma pecuária de alta produtividade. O resultado é uma carne de qualidade superior que hoje é acessível à mesa de milhões de brasileiros e estrangeiros. O sucesso é tão expressivo que o ciclo se inverteu: em 2023, o Brasil realizou uma exportação histórica de mais de 40 mil doses de sêmen de Gir Leiteiro para a própria Índia, que agora busca recuperar a genética que ajudou a exportar no passado.
Para além dos números econômicos, a história é mantida viva pela terceira e quarta gerações da família Garcia Cid. No Parque de Exposições Ney Braga, durante a ExpoLondrina, bustos e pavilhões homenageiam os pioneiros que enfrentaram monopólios políticos e meses de travessia marítima para transformar a alimentação nacional. Camila, neta do pioneiro, relata a emoção de redescobrir os registros da época, que mostram a precariedade dos navios onde seu pai e seu avô arriscaram a vida para cuidar dos animais.
A saga iniciada em uma casa simples de madeira no interior do Paraná não apenas mudou o rumo da economia, mas definiu a identidade do agronegócio brasileiro contemporâneo. "Nada existiria sem aquela viagem", conclui a reportagem, destacando que o legado dos Garcia Cid continua a evoluir através da ciência, da biotecnologia e do empreendedorismo familiar que coloca o Paraná na vanguarda do mundo.