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Da Índia ao Paraná: como o lendário boi Krishna chegou ao Paraná

16 abr 2026 às 12:01

O que começou como um plano ousado para mudar o rumo da pecuária no Brasil se transformou em uma verdadeira história de cinema. Em 1960, o pecuarista Celso Garcia Cid liderou uma operação para trazer gado da Índia para o Paraná, mas quase viu tudo ser perdido quando a imprensa descobriu os animais escondidos na Guiana Francesa. Sob pressão de grandes criadores que queriam o abate dos bichos, Celso precisou de um "pulo do gato" político, conseguindo o apoio do então vice-presidente João Goulart e do governador Moisés Lupion para desembarcar o rebanho em Paranaguá.


A viagem durou 22 dias em um navio precário e o perigo continuou mesmo após o desembarque na Ilha das Cobras, no litoral paranaense. Temendo que o governo tomasse os animais de elite, Celso Garcia Cid usou uma estratégia de mestre: antes de terminar a quarentena, ele trocou dez dos seus melhores bois importados por animais comuns de sua própria fazenda. Essa manobra garantiu que os reprodutores valiosos fossem levados em segurança para sua propriedade em Sertanópolis, longe dos olhos da fiscalização.


Entre os sobreviventes estava o lendário boi Krishna, considerado o pilar dessa revolução. Embora tenha vivido apenas um ano em solo brasileiro — morrendo de forma misteriosa por um suposto ataque cardíaco — o impacto de Krishna foi gigante. Estima-se que hoje, 80% do rebanho da raça Gir no Brasil carregue a genética desse animal. Na época, Celso não guardou o progresso apenas para si e democratizou essa genética superior, fazendo trocas com produtores locais e vizinhos.


Essa saga, contada agora no segundo episódio da série "Da Índia ao Paraná", mostra que a força da nossa carne vermelha nasceu de muita coragem e estratégias de bastidores. Graças à insistência do pioneiro paranaense, o Brasil deixou de ser um criador comum para se tornar uma potência mundial na pecuária. O legado deixado por aquela importação clandestina na década de 60 ainda é sentido em cada pasto e em cada mesa dos brasileiros até hoje.

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