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Debate no TQ: Incêndio em reserva indígena expõe impasse entre assistência social e FUNAI

20 abr 2026 às 15:51

O incêndio que destruiu sete barracos na reserva indígena localizada na Avenida Dez de Dezembro, no último sábado (18), foi o tema central de um debate acalorado no programa Tempo Quente, da TV Tarobá. Sob o comando de Rodrigo Marine, o encontro reuniu o secretário de Assistência Social, Claudio de Mello, o vereador Santão (PL) e Joaquim Pacheco de Lima, do Centro de Direitos Humanos (CDH), para discutir o destino das 30 pessoas que perderam seus pertences. 


A discussão evidenciou o vácuo de responsabilidade entre o município e a FUNAI (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), enquanto as famílias seguem desabrigadas em uma área que carece de infraestrutura básica, como água encanada e rede elétrica segura.


Durante o programa, o secretário Claudio de Mello pontuou que o município enfrenta limitações de jurisdição, uma vez que as decisões sobre a permanência ou realocação da comunidade dependem de instâncias jurídicas em Brasília e da atuação direta da FUNAI


Em contrapartida, a crítica à precariedade do órgão federal foi unânime; o apresentador Rodrigo Marine classificou a estrutura local da fundação como "sucateada", afirmando que a omissão do órgão acaba empurrando problemas de segurança pública e assistência social exclusivamente para a administração municipal de Londrina. O impasse jurídico é antigo: o vereador Santão relembrou que uma decisão judicial para a retirada da comunidade para uma área apropriada existe desde 2017, mas jamais foi cumprida.


O debate também revelou um profundo choque ideológico sobre o modelo de assistência. De um lado, o vereador Santão defendeu a integração plena dos indígenas à sociedade urbana por meio de educação e profissionalização, visando a autonomia econômica. 


Do outro, Joaquim Pacheco, do CDH, argumentou que a marginalização na Dez de Dezembro é reflexo da pressão da "cultura branca" e defendeu o respeito constitucional às tradições originárias. Enquanto o embate teórico prossegue, a realidade no local permanece crítica. O que foi projetado em 1999 para ser um centro de artesanato tornou-se uma ocupação precária e vulnerável a novas tragédias, exigindo uma solução definitiva que envolva a esfera federal e municipal.

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