Novos detalhes dos depoimentos prestados à Polícia Civil do Paraná (PCPR) revelam a dinâmica de uma suposta sessão de tortura, cárcere privado e sedação forçada que antecedeu a morte de Alexandre Rodrigues Ramos, de 27 anos. O caso aconteceu na sexta-feira (14), na zona leste de Londrina.
Alexandre morreu após cair do 14º andar de um edifício. A ocorrência teria sido motivada pela suspeita de furto de uma câmera fotográfica profissional Canon EOS 70D, avaliada entre R$ 12 mil e R$ 15 mil.
Quatro moradores do imóvel foram presos em flagrante. A perícia ainda apura se Alexandre se jogou do prédio em uma tentativa de escapar das agressões ou se foi arremessado da sacada.
Suspeita de furto e confissão
Segundo os depoimentos, Vinicius, proprietário da câmera, chegou ao imóvel por volta das 19h. Os demais moradores retornaram por volta das 22h.
Alexandre chegou acompanhado, mas não teria cumprimentado os presentes. Ao ser questionado sobre a câmera, inicialmente afirmou que o equipamento estaria em seu local de trabalho.
A versão passou a ser questionada quando os moradores pediram que ele entrasse em contato com o gerente. A situação se agravou depois que eles encontraram a câmera anunciada para venda no Marketplace do Facebook.
Diante disso, segundo os depoimentos, Alexandre teria admitido a subtração do equipamento.
Jovem teria sido amarrado e sedado
Após a confissão, os moradores relataram ter submetido o jovem a agressões e restrições físicas.
Um dos investigados confessou que amarrou os braços e as pernas de Alexandre com um cabo de extensão elétrica. Ele também admitiu ter dado tapas na vítima, alegando que temia que o rapaz tentasse alguma ação durante a noite.
Ainda segundo o depoimento, Alexandre teria recebido dois comprimidos de alprazolam. O medicamento teria sido oferecido para que o jovem ficasse mais calmo e dormisse. A perícia acredita que o uso do medicamento teria provocado forte redução psicomotora na vítima.
Outro morador, identificado como José Fernando, afirmou inicialmente que a porta do quarto teria permanecido aberta e que não houve agressões. Posteriormente, porém, ele teria mudado a versão e confirmado que Alexandre foi trancado no cômodo.
A polícia também questionou os envolvidos sobre o cabo de extensão usado para amarrar a vítima. O proprietário do equipamento afirmou não saber quem retirou o objeto do local.
Perícia vai definir como jovem caiu
Os quatro envolvidos foram presos em flagrante e, segundo as informações divulgadas, responderão por tortura agravada pelo encarceramento e pelo resultado morte.
A namorada da vítima e outra moradora foram liberadas após prestarem esclarecimentos na condição de testemunhas.
Agora, a Polícia Civil aguarda os laudos do Instituto Médico-Legal (IML) e da Polícia Científica para esclarecer as circunstâncias da queda.
A principal dúvida é se Alexandre se lançou da sacada em uma tentativa desesperada de fugir das agressões ou se foi arremessado pelos suspeitos.
Caso a perícia e as investigações comprovem que os envolvidos jogaram deliberadamente a vítima do 14º andar, a classificação criminal poderá mudar para homicídio qualificado por motivo torpe.