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Dois anos após queda do voo 2283, famílias ainda buscam respostas

10 ago 2026 às 12:15

Dois anos após a queda do voo 2283, da Voepass, familiares das 62 vítimas ainda convivem com a saudade e a busca por respostas. A tragédia aconteceu em 9 de agosto de 2024, quando a aeronave que havia saído de Cascavel com destino a Guarulhos caiu em Vinhedo, no interior de São Paulo.


Neste domingo (9), a data também foi marcada pelo Dia dos Pais. Para muitas famílias, o momento que tradicionalmente seria de celebração acabou sendo transformado em lembrança e homenagem. Nas redes sociais, filhos e familiares publicaram fotos e mensagens para pais que estavam a bordo do avião e nunca mais voltaram para casa.


Na época do acidente, o Aeroporto de Cascavel foi tomado por familiares e amigos que aguardavam informações sobre o voo. Durante horas, houve expectativa pela possibilidade de sobreviventes. A confirmação de que nenhuma das 62 pessoas havia resistido ao acidente provocou comoção em todo o país.


Desde então, diferentes órgãos passaram a investigar as circunstâncias que levaram à queda. O inquérito da Polícia Federal foi concluído após quase dois anos de apurações e resultou no indiciamento de 16 funcionários e ex-funcionários da companhia, incluindo o presidente da Voepass, José Luiz Felício Filho, e o diretor de manutenção, Eric Cônsoli.


Entre as conclusões da investigação estão fatores meteorológicos, falhas técnicas e problemas relacionados à operação da aeronave. O relatório também apontou a existência de uma chamada “cultura de não reporte” dentro da empresa, relacionada à omissão de informações sobre panes e problemas técnicos.


Presidente admitiu conhecimento sobre omissões

Um dos pontos que ganhou destaque no decorrer das investigações foi o depoimento do presidente da Voepass à Polícia Federal.


José Luiz Felício Filho afirmou que, apesar de ocupar formalmente a presidência da companhia, havia delegado a outros executivos parte da condução das operações do dia a dia.


Em relação às condições meteorológicas enfrentadas pelo avião, o empresário reconheceu que os procedimentos eram claros diante de uma situação de gelo severo: a aeronave não deveria operar naquela condição. Segundo ele, o comandante também tinha autonomia para alterar a rota e se afastar de uma situação de risco.


Felício Filho também admitiu ter conhecimento de uma prática de pilotos que deixavam para registrar determinadas panes posteriormente. Segundo o depoimento, a própria Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) já havia alertado a empresa sobre a existência dessa prática.


Outro depoimento considerado relevante foi prestado pelo comandante Marcos Luiz Rodrigues. Ele relatou ter recebido aeronaves com problemas no sistema de degelo mesmo diante de previsões de condições de gelo severo.


O comandante afirmou que jamais voaria em uma situação de gelo severo com o sistema de degelo apresentando falhas.


Busca por responsabilização

Com a conclusão do inquérito, o caso agora segue para análise do Ministério Público Federal, que deverá avaliar os elementos reunidos pela Polícia Federal e decidir sobre eventuais denúncias.


Os 16 indiciados tiveram medidas cautelares determinadas pela Justiça, incluindo a suspensão dos passaportes e a proibição de deixar o país enquanto o Ministério Público analisa o caso.


Para os familiares das vítimas, entretanto, os desdobramentos jurídicos não diminuem a dor provocada pela tragédia.


Dois anos depois, cada aniversário, feriado e data comemorativa pode representar uma nova lembrança da ausência. No Dia dos Pais, essa sensação ganhou ainda mais força para aqueles que perderam pais, filhos, irmãos e amigos no voo 2283.


A investigação agora apresenta novas respostas sobre o que aconteceu antes da queda. Para as famílias, permanece a expectativa de que a responsabilização avance e que a Justiça consiga esclarecer, de forma definitiva, por que a tragédia aconteceu.

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