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“Ele era um chorão mesmo”: Oscar Schmidt travou embates memoráveis no basquete londrinense

18 abr 2026 às 12:51

Lenda e exemplo máximo do que um atleta brasileiro pode chegar a ser no basquete profissional, Oscar Schmidt agrada a quase todos os públicos. Porém, a relação do londrinense com o ídolo é, no mínimo, conflituosa. Durante a época de ouro do esporte no município, o “Mão Santa”, ou “Mão Treinada”, como preferia ser chamado, travou embates memoráveis no templo máximo do esporte na cidade pé-vermelha: o Ginásio Moringão.


Uma acusação frequente da torcida é que o atleta usava da influência conquistada com muito suor e pontos pela “amarelinha” para receber favorecimentos da arbitragem, coincidentemente pelo Flamengo.


“Reclamava demais com os juízes, então a arbitragem acabava sendo influenciada pelas atitudes em quadra e isso, evidentemente, revoltava os adversários... Ele era um cara meio chorão mesmo, reclamava de tudo”, lembra o jornalista esportivo há mais de 30 anos, Lúcio Flávio.


Lúcio ainda recorda que essa rivalidade ficava ainda mais instigada devido ao desempenho em quadra do atleta, que raramente decepcionava nas atuações. “O Oscar, nos jogos aqui, fazia quase sempre mais de 40 pontos. Então essa animosidade se criou muito em razão disso, principalmente depois do Flamengo.”


À época, o então técnico londrinense Enio Vecchi chegou a declarar que o “Mão Santa” seria recebido a bala na cidade. Lúcio afirma que isso é um exagero. “Havia um clima pouco ameno entre ele e o treinador... Enfim, era sempre um espetáculo à parte, a gente teve algumas confusões em jogos decisivos com o time do Oscar.”


FICOU MAGOADO

E para quem pensa que essa rivalidade era restrita às quadras, Rodrigo Linhares, radialista consagrado em Londrina, lembra uma entrevista realizada em 2011 com Oscar. Linhares afirma que queria conversar com ele sobre as Olimpíadas de 2012, realizadas em Londres, mas o ex-atleta só queria falar de uma coisa: o torcedor londrinense.


“Eu achava que esse negócio estava superado... Esse esquema de mágoa da cidade, achei que a gente ia lembrar daquilo de boa. Só que ele estava possuído para falar disso”, recorda o jornalista esportivo, que atua há mais de 20 anos na área.


Linhares ainda conta que chegou a imaginar que não seria atendido pelo campeão. O primeiro contato foi feito com a esposa do ídolo, Cristina, que disse que até em outro estado os londrinenses tiravam a paciência do marido. “Ela falou: ‘Rodrigo, falar para Londrina eu acho difícil. Na semana passada teve um evento em um shopping em Campinas, o Oscar foi lá, chegou um cara de Londrina e falou umas coisas para ele. Tirou o Oscar do sério.’ Eram coisas pesadas.”


Um dos ápices do embate entre o atleta e o público local foi uma partida em que a torcida levou uma faixa em “homenagem” ao craque com o seguinte escrito: “Oscar, Londrina te odeia”.


Linhares finaliza lembrando que, apesar da hostilidade dos torcedores, ele era implacável. “Ele acabava com o jogo, cara... Ele não errava uma. Olhava para o Enio com aquela cara de deboche. Ele queria apitar a partida, né? Era muito chato dentro de quadra.”


MORTE DE OSCAR

Oscar Schmidt, 68 anos, morreu nesta sexta-feira (17). O maior jogador da história do basquete brasileiro havia sido internado no início da tarde em São Paulo, às 13h43. Ele sentiu um forte mal-estar, sendo inicialmente amparado por um médico amigo da família.


Poucas horas depois da internação, veio a confirmação da morte do Mão Santa. Em comunicado, a família informou o falecimento como “um dos maiores nomes da história do basquete mundial e uma figura de imenso significado humano e esportivo”.

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