Com menos de 100 dias para as eleições, o calendário eleitoral entra em uma fase considerada decisiva para a definição das candidaturas. Entre 20 de julho e 5 de agosto, período reservado às convenções partidárias, partidos e pré-candidatos devem oficializar nomes e alianças, redesenhando o cenário político para a disputa. Para o sociólogo Ronaldo Baltar, é nesse momento que serão definidas as coligações e os apoios capazes de influenciar a competitividade dos candidatos.
Segundo o especialista, embora pesquisas de intenção de voto indiquem um cenário inicial, as negociações em andamento ainda podem provocar mudanças importantes. No Paraná, ele observa que a disputa permanece aberta e que as articulações entre partidos e lideranças estaduais terão peso na formação dos palanques. No cenário nacional, Baltar avalia que a polarização política deve permanecer como principal característica da eleição, enquanto partidos buscam ampliar o diálogo com eleitores que não se identificam com os polos mais radicalizados.
O sociólogo também destaca que um dos desafios da campanha será o combate à desinformação, especialmente diante da popularização da inteligência artificial, que pode facilitar a produção de conteúdos falsos com aparência de autenticidade. Na avaliação dele, a atuação da Justiça Eleitoral tende a ser ainda mais intensa diante da circulação de vídeos e materiais manipulados durante o período eleitoral.
Apesar de identificar sinais de cansaço do eleitorado com o ambiente de polarização, Baltar afirma que os partidos ainda apostam em estratégias de confronto político. Para ele, as convenções também serão importantes para definir candidaturas ao Legislativo estadual e federal, especialmente em regiões que buscam ampliar sua representatividade política, como o Norte do Paraná.