Uma empresa de Cascavel acendeu o alerta após identificar um aumento expressivo no número de atestados médicos apresentados por funcionários, a maioria emitida por meio de consultas online. O que inicialmente parecia reflexo da facilidade da telemedicina acabou levantando suspeitas de fraudes e até de exercício ilegal da medicina.
O setor de Recursos Humanos estranhou a quantidade de documentos recebidos em sequência nos últimos meses, muitos com características semelhantes. Diante da situação, o caso foi levado ao Conselho Federal de Medicina (CFM), que analisou algumas das plataformas citadas.
Segundo o órgão, foi confirmada a existência de irregularidades. Uma das plataformas investigadas utilizava indevidamente elementos visuais de operadoras de saúde e até da própria estrutura digital do conselho para dar aparência de legitimidade aos documentos. O caso aponta indícios de crimes como falsidade ideológica, estelionato e exercício ilegal da medicina. O site citado já foi retirado do ar após denúncias.
A situação expõe um desafio relacionado ao avanço da telemedicina. Diversas plataformas oferecem consultas rápidas, muitas vezes por valores baixos, prometendo atendimento ágil e emissão de atestados em poucos minutos, inclusive por chat.
O Conselho Regional de Medicina reforça que as regras da prática médica são as mesmas, tanto no ambiente presencial quanto no digital. A emissão de atestados falsos não é um problema recente, mas ganha novas dimensões com o uso da tecnologia.
Como forma de aumentar o controle, o CFM disponibilizou a plataforma “Atesta CFM”, que deve reunir e validar atestados médicos emitidos em todo o país, com a proposta de tornar o sistema obrigatório no futuro.
Diante das suspeitas, a empresa decidiu não aceitar mais atestados emitidos de forma online.