A Justiça condenou o empresário Celso Fruet a 16 anos, 10 meses e 15 dias de prisão por um esquema de estelionato que teria causado prejuízo milionário a produtores rurais do Oeste do Paraná. A sentença foi proferida nesta quinta-feira e aponta a prática de 124 crimes.
Do total, 85 foram classificados como estelionato na forma simples, 39 como estelionato majorado por envolver vítimas idosas e ainda dois casos de fraude mediante pagamento com cheque.
Com cerca de 30 anos de atuação no ramo cerealista, Fruet administrava silos utilizados para armazenagem de soja e trigo. Conforme a decisão judicial, ele vendia os grãos dos produtores e repassava os valores aos donos. No entanto, em junho do ano passado, o empresário vendeu a empresa para uma cooperativa sem comunicar os agricultores que mantinham produtos armazenados no local.
Mesmo após a venda, ele teria continuado negociando com produtores, recebendo cargas e deixando de efetuar os pagamentos. O esquema, segundo a sentença, resultou em um enriquecimento ilícito estimado em aproximadamente R$ 20 milhões.
A revelação do caso gerou forte impacto entre os produtores rurais da região. Muitos relatam dificuldades financeiras, acúmulo de dívidas e até impedimentos para acessar novos financiamentos.
Além da pena de prisão, a decisão também determinou o pagamento de uma multa de quase R$ 1 milhão, valor que deve ser destinado ao Fundo Penitenciário.
Paralelamente, seguem em andamento ações na esfera cível, nas quais os produtores buscam o ressarcimento dos prejuízos.
A condenação foi proferida pela Vara Criminal da Comarca de Guaraniaçu e ainda cabe recurso. Em nota, a defesa do empresário, que permanece preso em Francisco Beltrão, afirmou que há equívoco na sentença, alegando que situações comerciais teriam sido interpretadas como crime de estelionato. A defesa também considera a pena desproporcional e afirma confiar na revisão da decisão pelos tribunais.