O combate ao bullying tem ganhado cada vez mais espaço nas escolas da rede estadual do Paraná. Além de ações de conscientização, os colégios contam com programas voltados ao acolhimento de estudantes, orientação de professores e aproximação com as famílias para prevenir situações de violência e preconceito.
A iniciativa ganha destaque após episódios registrados recentemente na região Oeste do Estado. Em julho, uma adolescente venezuelana de 15 anos foi agredida por colegas na saída do Colégio Estadual Olinda Truffa de Carvalho, no bairro Universitário, em Cascavel. O caso foi registrado em boletim de ocorrência e segue sendo acompanhado pelas autoridades.
Outro episódio ocorreu em Santa Tereza do Oeste, onde a Polícia Civil indiciou uma jovem de 19 anos pelos crimes de ameaça e injúria homofóbica contra um adolescente de 15 anos. Segundo a investigação, durante uma discussão no Colégio Estadual do Campo de Santa Maria, a suspeita teria ameaçado a vítima e feito ofensas de cunho homofóbico.
Diante desse cenário, a Secretaria de Estado da Educação mantém programas voltados à prevenção e ao acolhimento de alunos. Um deles é o Escola Escuta, presente em diversas unidades da rede estadual.
A iniciativa prepara profissionais da própria escola para identificar sinais de sofrimento emocional, acompanhar estudantes em situação de vulnerabilidade e realizar os encaminhamentos necessários quando há casos de bullying, violência ou abuso.
Em um colégio estadual de Cascavel, o programa faz parte da rotina escolar. A professora de apoio Elaine, que acompanha estudantes e também atua no Escola Escuta, explica que o trabalho vai além das situações de bullying, oferecendo um espaço seguro para que os alunos possam relatar problemas vividos dentro ou fora da escola.
Um dos estudantes atendidos é Bernardo, de 16 anos, aluno do 2º ano do Ensino Médio em período integral. Com dificuldades de mobilidade e visão, ele conhece de perto a importância do respeito às diferenças e acredita que o diálogo é uma das principais ferramentas para combater o preconceito.
Além dos atendimentos realizados pelos profissionais da escola, os estudantes também contam com uma caixa de mensagens do programa, onde podem fazer relatos de forma reservada, permitindo que a equipe identifique situações que muitas vezes passam despercebidas.
A Secretaria da Educação reforça que o enfrentamento ao bullying depende da participação de toda a comunidade escolar. Professores, equipes pedagógicas e famílias têm papel fundamental na identificação precoce de comportamentos agressivos e na construção de um ambiente mais acolhedor.
Também é importante lembrar que, dependendo da situação, pais ou responsáveis podem responder civilmente pelos atos praticados por filhos menores de idade.
A mensagem deixada por Bernardo resume o objetivo dessas ações: que estudantes que enfrentam o bullying não sofram em silêncio e procurem apoio na escola, na família ou em pessoas de confiança. O acolhimento e a denúncia continuam sendo as principais ferramentas para interromper o ciclo da violência e promover um ambiente escolar mais seguro e respeitoso para todos.