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Espiga de milho de 1947 germina até hoje e chama atenção de visitantes

15 abr 2026 às 19:13

No estande “Sementes Crioulas”, Noemia Leles de Freitas mantém uma espiga de milho datada de 1947 que ainda germina e segue orientando novas espigas e sementes, ilustrando um ciclo de vida que se repete geração após geração.


A pesquisadora expõe na feira desde 2002 e mostra seus estudos e práticas de cultivo sobre sementes florestais, crioulas e solos, que são feitos desde 1998. Em 2026, Noemia reúne mais de duas mil variedades de grãos crioulos em seu cultivo, e ressalta: “Eu não compro mais feijão no supermercado, por exemplo.  Com um grão de feijão crioulo eu consigo germinar muitos outros feijões para comer no meu dia a dia.”


As sementes crioulas são aquelas selecionadas e adaptadas por gerações de agricultores, especialmente em comunidades indígenas e quilombolas, sem alterações genéticas e sem dependência de produtos químicos, resultado de práticas agrícolas sustentáveis e respeitosas ao meio ambiente. 


Um milho crioulo, por exemplo, costuma gerar em média 600 sementes, estas podem ser plantadas e originam novas espigas que perpetuam o ciclo de produção, o que torna essa cultura sustentável e, em certa medida, infinita. Diferentemente das sementes transgênicas e híbridas, usadas pela agricultura industrial que atendem a um único ciclo de vida, não podendo ser plantadas após a colheita, as sementes crioulas geram novas sementes viáveis, preservando diversidade e autonomia alimentar.


A conservação de uma espiga crioula por décadas depende de cuidados específicos com cada grão, mas, de modo geral, passa por higienização, secagem e armazenamento em ambiente fresco. A pesquisadora ressaltou que essa é uma prática que foi passada de geração para geração em sua família: “o milho de palha roxa é um milho que meu pai também plantava. O meu pai deixava o milho secar, claro que secava, porque era dos animais, guardava as espigas e não apodrecia, não dava caruncho.” 


Quem passou pelo estande ficou maravilhado com a conservação que esses milhos podem alcançar. Ao conversarem com a pesquisadora sobre o assunto, expressões como “nossa” e “não acredito” repercutem pelas falas das pessoas, bem como o interesse em comprar as sementes para plantar em casa.


Noemia ainda ressalta que, para manter o ciclo de vida do material, é fundamental respeitar o intervalo de um ano entre a colheita e o replantio, sempre na mesma época do ano, razão pela qual esse tipo de cultivo não se presta à produção industrial em larga escala, mas sim ao cultivo próprio e à manutenção da biodiversidade.


Entre outros exemplos práticos do trabalho de Noemia, está uma espiga preservada em 2014 com 18 filas e 759 grãos, cujos grãos já deram origem a novas espigas igualmente férteis, enquanto a espiga original permanece guardada em 2026.


A pesquisadora finalizou dizendo que o modelo agrícola atual, voltado ao consumo imediato e ao uso único das sementes ameaça a comunidade dos alimentos como os conhecemos. “Nós estamos degradando o planeta e as sementes. Com isso, estamos agredindo as árvores, as palmeiras, tudo enfim, o ecossistema total.”


SERVIÇO


A Fazendinha Via Rural 2026 funciona de segunda a sexta, das 9h às 18h, e aos sábados e domingos, das 10h às 19h, no Parque de Exposições Ney Braga, durante a ExpoLondrina 2026, entre os dias 10 e 19 de abril.


Noemia Leles de Freitas
E-mail: terrasemente@hotmail.com


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