Novos desdobramentos de uma investigação conduzida pelo Ministério Público (MP) trazem detalhes sobre um suposto esquema de "rachadinha" na Câmara Municipal de Londrina. Em depoimento, uma ex-assessora parlamentar — filha do empresário apontado como o beneficiário dos repasses — afirmou ter sido coagida a entregar parte de seus vencimentos e relatou estar sofrendo ameaças após decidir colaborar com a justiça.
A jovem relatou que a exigência dos repasses surgiu cerca de um mês após sua nomeação, em março do ano passado. Segundo ela, ao questionar a legalidade e a duração dos pagamentos, foi confrontada com a possibilidade de demissão. "O meu pai falou: 'mas você não quer mais o emprego?'", afirmou. Agora, com o avanço do caso, a ex-assessora declarou temer represálias. "Tenho muito medo do que pode acontecer", desabafou ao mencionar a pressão sofrida para silenciar sobre o esquema.
Áudios e provas do esquema
A investigação conta com áudios em que o empresário detalha a dinâmica financeira do grupo. Nas gravações, ele afirma receber mensalmente R$ 6.000,00, valor que seria composto por R$ 3.000,00 retirados do salário do vereador e outros R$ 3.000,00 divididos entre três assessores da estrutura parlamentar. "Não importa quem seja o assessor, eu tenho que pegar R$ 6.000,00. Meu salário é esse", diz o investigado em um dos trechos.
A ex-assessora entregou comprovantes de transferências bancárias ao Ministério Público. A suspeita dos promotores é que cada servidor comissionado envolvido fosse obrigado a repassar aproximadamente R$ 1.000,00 mensais ao empresário para garantir a permanência nos cargos.
Defesa e versões conflitantes
Em oitiva oficial, o empresário negou a prática de "rachadinha". Ele alegou que o conteúdo dos áudios foi inventado em um momento de "desespero" para tentar demover a filha de supostas intenções de autoextermínio, questionando a saúde mental da denunciante. A defesa sustenta ainda que os valores depositados seriam referentes à quitação de veículos negociados entre ambos.
A ex-assessora rebateu as afirmações, classificando-as como infundadas e uma tentativa de descredibilizá-la. Ela reforçou que os automóveis foram apresentados como presentes e que a relação entre os dois sempre foi estritamente profissional no âmbito da Câmara. "Minha expectativa é que seja provado que não sou louca, como eles estão querendo apontar, porque é tudo verdade", declarou.
Andamento judicial
O Ministério Público mantém a investigação sob sigilo para apurar os crimes de peculato, concussão e improbidade administrativa. O vereador mencionado nas gravações ainda não emitiu posicionamento oficial sobre as acusações de que parte de seu próprio salário também compunha o montante repassado ao empresário.