Enquanto as luzes do Parque Ney Braga ainda estão apagadas para o grande público, a movimentação já é intensa nos pavilhões da ExpoLondrina 2026. Por trás dos leilões milionários e dos exemplares de genética impecável, existe a figura fundamental dos cuidadores — profissionais que transformam a pecuária em uma arte de paciência e dedicação extrema.
Cuidadores como Wagner personificam esse esforço: dormindo em tendas ao lado dos animais, eles iniciam o dia antes do sol nascer com uma rotina minuciosa que começa pela alimentação e limpeza das "camas", evoluindo para o toalete, um processo estético rigoroso que inclui banhos, escovação e a higienização detalhada de chifres e orelhas, preparando os animais para os julgamentos e para os holofotes da feira.
A excelência vista nas pistas de exibição não é fruto do acaso, pois o preparo de um animal de elite começa muito cedo, muitas vezes com o manejo precoce de bezerros logo aos 40 dias de vida. O objetivo central é a socialização, acostumando o gado com o banho, a escovação e, principalmente, com o barulho e a presença constante do público.
Para profissionais veteranos como Petiço, a relação deixa de ser apenas técnica e cria um vínculo afetivo que garante que os animais permaneçam mansos e seguros. Esse trabalho de base é o que sustenta a segurança pública dentro dos pavilhões e a integridade física dos visitantes que interagem com os grandes campeões da exposição.
A ExpoLondrina 2026 reúne cerca de 600 exemplares de 12 raças diferentes, incluindo bovinos, ovinos e equinos, apresentando desde o tradicional Nelore até raças exóticas como o Longhorn texano. Esses animais atuam como reprodutores de elite, movimentando cifras altas e atraindo a curiosidade de visitantes sob a supervisão da ADAPAR (Agência de Defesa Agropecuária do Paraná).
Contudo, toda essa valorização comercial e genética depende diretamente do suporte invisível dos tratadores. Sem esse pilar, a organização e o bem-estar animal seriam impossíveis de manter, reafirmando que o sucesso do agronegócio paranaense passa, obrigatoriamente, pelo cuidado manual e humano dedicado no campo.