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Falta de remédio de R$ 5 mil coloca em risco idosa com doença rara em Londrina

01 mai 2026 às 19:28

A rotina de Dona Marinalva, de 79 anos, tornou-se uma corrida contra o tempo devido ao desabastecimento de medicamentos de alto custo na 17ª Regional de Saúde de Londrina. Diagnosticada com plaquetopenia crônica autoimune, uma condição rara em que o sistema imunológico destrói as próprias plaquetas, a idosa depende estritamente do fármaco Eltrombopag olamina para evitar hemorragias graves. A interrupção no fornecimento gratuito pelo Estado coloca a paciente em uma situação de vulnerabilidade extrema, uma vez que a ausência da medicação provoca queda drástica nos níveis sanguíneos, resultando em fraqueza severa e risco iminente de sangramentos espontâneos.


O impacto da omissão estatal reflete diretamente no orçamento familiar, dado que o valor de mercado do medicamento gira em torno de R$ 5.000,00 por caixa, montante que supera a renda total da aposentada e de sua filha.


 Após quatro anos de acompanhamento para estabilizar a dosagem ideal e evitar internações recorrentes, a família enfrenta agora a ausência de previsão para a chegada de novos lotes na unidade de saúde. A falta do remédio compromete anos de evolução clínica e gera um cenário de pânico, pois a trombocitopenia não controlada pode evoluir para quadros fatais de hemorragia interna ou cerebral caso o tratamento não seja retomado imediatamente.


Do ponto de vista médico, o uso do Eltrombopag é vital para estimular a produção de plaquetas na medula óssea, mantendo a homeostase do organismo. A interrupção brusca do tratamento força o retorno da paciente ao estágio agudo da doença, invalidando o esforço de estabilização realizado nos últimos anos. Sem o suporte da rede pública, a família de Dona Marinalva fica sem alternativas viáveis para garantir a continuidade da terapia, evidenciando as falhas na logística de distribuição de medicamentos especializados que deveriam garantir o direito constitucional à saúde e à vida.

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