Uma denúncia de suposta negligência médica mobilizou a família de Ivanilda da Silva, de 75 anos, após a idosa falecer em decorrência de complicações em um exame de rotina realizado no Hospital do Câncer de Londrina. O procedimento, uma histeroscopia, é utilizado para diagnosticar problemas no interior do útero por meio de uma câmera.
Relato de complicações e alta médica
De acordo com os familiares, o exame, que deveria ser rápido, apresentou intercorrências logo no início. A filha de Ivanilda, Jevanilda Porfírio da Silva, relatou que a mãe precisou de doses de morfina durante a madrugada devido às fortes dores. Mesmo apresentando sintomas graves, a idosa recebeu alta médica com uma prescrição contendo apenas medicamentos simples, como dipirona.
Após a liberação, o quadro de saúde se agravou. Ivanilda buscou atendimento no Hospital Cristo Rei, em Ibiporã, e retornou posteriormente ao Hospital do Câncer. Ao realizar uma tomografia de urgência, os médicos constataram que o intestino e outros órgãos haviam sido perfurados durante o exame inicial. Apesar de ser levada às pressas para a cirurgia, a intervenção foi tardia e a paciente não resistiu.
Revolta e luto
A família descreve Ivanilda como uma mulher saudável, ativa e apaixonada pelo cuidado com sua casa e jardim. Ao retornarem à residência da idosa pela primeira vez após o óbito, o clima entre os parentes era de revolta.
Posicionamento do Hospital do Câncer
O diretor técnico do Hospital do Câncer de Londrina, Bruno Bressianini, pronunciou-se oficialmente sobre o caso. Segundo o diretor, a médica responsável relatou ter percebido um sangramento durante o procedimento, mas afirmou que a hemorragia havia cessado antes da retirada da câmera.
A instituição informou que as seguintes medidas estão sendo tomadas:
Avaliação Técnica: Pareceres de médicos especialistas internos foram solicitados para analisar o processo.
Comissão de Ética: O caso foi encaminhado para a Comissão de Ética Médica Interna do hospital.
Apuração de Responsabilidade: O diretor considerou prematuro falar em punições imediatas, mas garantiu que o hospital apurará se houve erro médico, seguindo as resoluções do Conselho Federal de Medicina.