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Fiep apresenta resultados sobre percepções e expectativas empresariais

02 fev 2026 às 17:09

A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) apresentou os resultados da 30ª Sondagem Industrial 2025/2026. A pesquisa reúne as percepções, expectativas e intenções dos empresários sobre o cenário econômico e os seus negócios.


Realizada anualmente desde 1995, a sondagem é considerada o principal termômetro da confiança industrial no Paraná. O levantamento busca identificar tendências de investimento, projeções de crescimento, desafios e oportunidades para o setor, além de avaliar o grau de otimismo dos empreendedores paranaenses para o novo ano. A análise apresentada na sede da Fiep, nesta segunda-feira (02), trouxe um cenário menos otimista e mais cauteloso, especialmente em relação à macroeconomia.


Marcelo Antonio Percicotti, Gerente de Desenvolvimento Industrial e Social da Fiep, explicou as expectativas e incertezas do cenário político e econômico, destacando que 61% dos empresários estão preocupados com o ano eleitoral e com os encaminhamentos nacionais. Embora a maioria das indústrias (84%) ainda pretenda investir em 2026, houve uma queda de seis pontos percentuais no otimismo e um aumento na expectativa de retração econômica em comparação ao ano anterior.


Mesmo com a assinatura recente do Acordo entre União Europeia e Mercosul, o comércio internacional não foi visto com grande euforia pelos industriais. Edson Vasconcelos, presidente da Fiep, explicou que o Brasil ainda não realizou a mapeação dos setores internos, identificando quais podem ser afetados pela entrada de produtos estrangeiros. Muitas transações dependem de cotas e limites, dificultando prever o grau real de abertura de mercado para os industriais brasileiros.


A mão de obra voltou a figurar entre as principais preocupações da sondagem. Segundo o presidente da Fiep, benefícios sociais podem ser problemáticos quando são utilizados por pessoas que não precisam, impactando o mercado de trabalho. A federação participa de projetos-piloto em alguns municípios para detectar fraudes em programas sociais.


Edson Vasconcelos destacou a dificuldade de encontrar mão de obra qualificada, relacionando-a ao uso indevido de benefícios sociais, como o Bolsa Família, e ressaltou que a implementação de protocolos de fiscalização, baseados em modelos que já funcionaram em outros estados, é essencial para identificar fraudes. O objetivo é garantir que os recursos cheguem a quem realmente precisa e que as pessoas aptas ao trabalho retornem ao mercado.