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Funcionários dos Correios de Londrina e região decidem por greve geral

16 dez 2025 às 19:55

Os trabalhadores dos Correios de Londrina e região realizaram uma assembleia em frente à Agência Central dos Correios, na Avenida Rio de Janeiro, para deliberar sobre a deflagração de uma greve geral. Segundo Oséias Bravos, diretor do sindicato, a paralisação está marcada para iniciar a partir das 22 horas desta terça-feira (16), como resposta à falta de proposta da empresa em negociações que se arrastam desde 1º de agosto e às constantes ameaças de retirada de benefícios históricos.


Motivação e Retirada de Direitos


O principal motivo da paralisação, conforme Oséias Bravos, não é apenas a busca por aumento, mas a defesa dos direitos já estabelecidos, em contraste com o reajuste salarial de 14% concedido ao alto escalão e ao presidente da empresa.


Entre os benefícios que estão sob ameaça de retirada, destacam-se:


Vale Natalino: O 13º do Vale Alimentação, uma cláusula histórica de mais de 40 anos.


Plano de Saúde: A empresa manifestou intenção de deixar de ser a mantenedora do plano para se tornar apenas patrocinadora. Segundo o diretor sindical, essa mudança terceirizaria o serviço e aumentaria ainda mais a mensalidade paga pelos trabalhadores.


O diretor sindical ressaltou que a insegurança gerada pela falta de um Acordo Coletivo assinado impacta diretamente as famílias que dependem do salário e do vale alimentação dos servidores.


Contraste Salarial e Pedido de Equiparação


Os trabalhadores destacam a disparidade entre as decisões da diretoria e as demandas dos funcionários da base. A categoria, ao tomar conhecimento do reajuste de 14% concedido à cúpula, passou a reivindicar o mesmo percentual, embora o foco principal seja a manutenção dos benefícios.


"Se o presidente teve esse aumento, nós também entendemos que nós, trabalhadores aqui do chão de fábrica, nós também temos esse direito," afirmou o diretor, reforçando que, no momento, a prioridade é apenas "não ter retirada de direito."


Impacto e Serviços Essenciais


Questionado sobre a abrangência do movimento, o sindicato informou que assembleias estão ocorrendo em todo o Brasil e que a expectativa é de uma greve geral.


Apesar da paralisação, o diretor destacou que uma porcentagem do efetivo deverá ser mantida, conforme a lei de greve:


Manutenção de 30% dos trabalhadores para garantir o transporte de medicamentos e outros serviços essenciais.


Oséias Bravos fez questão de ressaltar a importância social dos Correios, citando o papel da estatal na logística de serviços cruciais, como a entrega de livros didáticos, urnas eleitorais, provas do ENEM e o auxílio em operações de socorro durante tragédias climáticas no Sul e Sudeste do país, sem receber custos adicionais por esses serviços.


O diretor rebateu a alegação de que a empresa daria prejuízo, citando a retirada de 6 bilhões de reais pela União em 2014, e criticou o ônus colocado sobre os trabalhadores: "A culpa não é nossa, a gente está disposto a ajudar, mas não só no nosso lombo."


A greve geral dos Correios tem início previsto para as 22 horas e deverá ter desdobramentos acompanhados pela programação local.

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