O Ministério Público do Paraná (MPPR), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Londrina, denunciou criminalmente três pessoas investigadas por aliciamento de jogadores de futebol para manipulação de resultados esportivos. As denúncias são resultado da Operação Derby, deflagrada em setembro de 2025, após atletas do Londrina Esporte Clube (LEC) relatarem tentativas de coação.
Segundo as investigações, no ano passado, jogadores do Londrina receberam propostas para manipular o resultado de uma partida válida pela Série C do Campeonato Brasileiro, em um clássico contra o Maringá Futebol Clube. Os suspeitos atuavam como empresários do setor esportivo e faziam contato com os atletas por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens.
De acordo com o Gaeco, a proposta era objetiva: cada jogador deveria receber um cartão amarelo antes dos 27 minutos do primeiro tempo. Caso a orientação fosse cumprida, a recompensa oferecida seria de R$ 15 mil por atleta. Nenhum dos jogadores abordados aceitou a oferta criminosa, e o caso foi imediatamente comunicado à comissão técnica do clube, que repassou as informações às autoridades.
As apurações tiveram início após o Gaeco receber informações da Delegacia da Polícia Federal de Londrina, que relatou as abordagens feitas antes da partida da Série C. Durante a investigação, os suspeitos optaram por permanecer em silêncio, conforme informou o promotor de Justiça Leandro Antunes Meirelles Machado, do Gaeco.
As investigações também apontaram que um dos líderes do esquema é filho de um boxeador renomado, utilizando essa condição para ganhar a confiança dos jogadores e facilitar o aliciamento. O nome do atleta não foi divulgado.
Além do caso envolvendo o Londrina Esporte Clube, um jogador do Mirassol também teria sido abordado por um dos suspeitos no início de abril de 2025, desta vez em relação a uma partida válida pela Série A do Campeonato Brasileiro, disputada no dia 2 de abril. Assim como no caso anterior, o atleta recusou a proposta.
Os três denunciados respondem pelos crimes de associação criminosa e corrupção em âmbito desportivo, previstos na Lei Geral do Esporte (Lei nº 14.587/2023). As penas para crimes contra a incerteza do resultado esportivo podem variar de dois a seis anos de reclusão, além de multa.
Apesar das denúncias apresentadas, o Ministério Público informou que não houve, até o momento, pedido de prisão dos investigados. Segundo o Gaeco, as medidas adotadas neste momento visam garantir o andamento do processo criminal com base nas provas já reunidas.
Além da condenação penal, o MPPR também requereu à Justiça o pagamento de indenização por dano moral coletivo, no valor sugerido de R$ 150 mil, como forma de reparação pelos prejuízos causados à integridade do esporte e à credibilidade das competições. As investigações seguem em andamento.